A Caminho do Centenário – 1913-2013 Parte I

Introdução

O Movimento das Assembleias de Deus em Portugal está prestes a comemorar o seu centésimo aniversário, já no próximo ano de 2013. Está, por isso, de parabéns. São 100 anos a proclamar as Boas Novas do Evangelho em Portugal Continental, nas Ilhas, e além-fronteiras, num esforço considerável no sentido de cumprir o propósito de Deus de "fazer discípulos em todas as nações".

Somos um movimento (quase) centenário que se alegra pelo seu passado, pelo trabalho evangélico deixado um pouco por todo o mundo, fruto da dedicação e da obediência dos seus pioneiros ao "ide" de Jesus, aos quais desejamos honrar e dos quais somos naturais continuadores de uma obra, tanto social como espiritual, que inevitavelmente deixou marcas onde foi realizada.

Relembrar os 100 anos da nossa história, ou pelo menos fazer menção de épocas/fases mais significativas deste Movimento, é o que nos propomos fazer nos próximos tempos
através da página do DNM. Não deixaremos de mencionar igualmente alguns nomes de homens e mulheres que permaneceram no propósito divino para esta nação, que compreenderam o papel que lhes havia sido confiado por Deus, estando certos de que faziam parte de um todo em que "uns plantam, outros regam, mas é Deus quem dá o crescimento" ((I Coríntios 3:6 e 7).

Uma época de reformas

Com o advento da Reforma no início dos anos 1500, "movimento de renovação espiritual" que teve em Martinho Lutero, nascido em 1483 na Alemanha, o seu grande protagonista, eram dados os primeiros passos para transformações significativas no seio da igreja, fruto de desvios da prática bíblica que foram sucedendo ao longo dos séculos. Uma das suas grandes batalhas foi o regresso ao ensino bíblico, o mesmo que havia sido praticado pela igreja primitiva, tal como o recebera dos apóstolos.

Fruto destas mudanças no seio da igreja que começaram a acontecer um pouco por todo o mundo, sucederam-se diversos Movimentos no contexto do Reavivamento da Igreja, como foi o caso do Movimento Evangélico, hoje com cerca de 648 milhões de "aderentes", que teve em João Wesley, nascido na Inglaterra, um dos seus principais impulsionadores. O seu zelo e a sua convicção pelas verdades do Evangelho, levaram-no ao encontro de todas as classes sociais, viajando por todo o país.

Podemos dizer que entre 1500 e 1700 deu-se uma reviravolta no que respeita à teologia. Neste período, a igreja passou por um processo de restauração de grandes verdades bíblicas fundamentais, nomeadamente a salvação pessoal através de Jesus Cristo. Na Suíça, um homem chamado Zuingli, encontrou o caminho da salvação em Cristo ao estudar a Palavra de Deus. Como resultado, começou a pregar aquilo que tinha descoberto nas Escrituras, ou seja, "Há um só Salvador que pode trazer os pecadores para Deus, e este é o senhor Jesus Cristo" (I Timóteo 2:5). Muitos creram na sua pregação, tendo alguns deles sido mortos pela Igreja católica que se opunha contra esta verdade. Outros países, nomeadamente França e Inglaterra, sofreram também oposição prolongada até que adquirissem completa liberdade para adorar a Deus.

A verdade do Evangelho haveria de chegar também a Espanha e a Itália, fruto essencialmente da leitura da Bíblia, que haveria de ser traduzida para todas as línguas faladas na Europa. Embora amordaçada em muitos lugares, nunca como hoje o Evangelho é pregado livremente.

Nesta altura da Reforma, surge uma nova tecnologia na produção de livros, uma "revolução nas comunicações" que teve origem na Alemanha, estimando-se em cerca de seis milhões de livros editados na Europa por volta do ano de 1500.

A partir do ano de 1730 tem início um grande movimento do Espírito, a par de uma renovada visão. O Movimento Missionário estava de volta à igreja, trazendo um novo vigor à Grande Comissão de Jesus. A partir de 1790, a igreja entrou numa fase de expansão por todo o mundo. Continentes como a África, a América do Sul, bem como a Índia, eram alcançados através do evangelho. As Boas Novas chegavam em força a todo o mundo.

Homens como Zinzendorf (1700-1760), William Carey (1761-1834), Robert Morrison (1782-1834), Hudson Taylor (1832-1905), Peter Cameron Scott (1867-1896), foram alguns dos principais personagens, obedientes ao mandato de Jesus que se notabilizaram entre 1700 e 1900.

O Movimento Pentecostal

Este movimento cristão, cuja origem remonta ao início do século XX nos Estados Unidos, de onde haveria de surgir a Assembleia de Deus, é consequência do derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja, que desde cedo se propagou em simultâneo por muitas partes do mundo. Hoje, o movimento pentecostal está presente em praticamente todo o mundo, estimando-se em aproximadamente 180 milhões de fiéis em 2010.

O mesmo Espírito que deu origem à Igreja no dia de Pentecostes, que se manifestou de forma poderosa no início do século XX, experiência que haveria de ser partilhada também por outros diferentes grupos a partir de 1950, nomeadamente os denominados carismáticos que em 2010 se cifravam em cerca de 420 milhões de fiéis, seria o mesmo que estaria na origem das Assembleias de Deus em Portugal, movimento cuja génese no nosso país pode ser atribuída a José Plácido da Costa.
Os Pioneiros

José Plácido é natural de Valezim, Portugal, terra que o viu nascer em 25 de Novembro de 1870. A sua conversão a Cristo deu-se no Brasil para onde havia emigrado, na Primeira Igreja Baptista de Belém do Pará, em 1909, após consultar a Bíblia para se certificar da verdade. Fruto da sua consagração e do estudo da Bíblia, foi nomeado diácono da referida igreja. Em Março de 1911, ser-lhe-ia atribuído o cargo de Moderador, e foi durante o exercício dessa função que se debruçou sobre as doutrinas pentecostais ensinadas pelo missionário Gunnar Vingren e Daniel Berg, figuras proeminentes do pentecostalismo no Brasil.

Foi um dos 18 primeiros crentes da Assembleia de Deus, na cidade de Belém do Pará, onde depois de cooperar com a igreja ali por aproximadamente dois anos, acabaria por regressar à sua pátria, em Abril de 1913, onde começou por ser uma testemunha de Jesus, tornando-se assim o primeiro missionário pelas Assembleias de Deus no Brasil. Mais tarde, outro português de nome José de Matos, apoiado a partir da Suécia, vem para Portugal onde funda mais tarde igrejas no Algarve e nas Beiras. Estávamos no ano de 1921.

A sua experiência pentecostal acabaria por integrá-lo no grupo daqueles que haveriam de ser excluídos da Igreja Baptista em 13 de Junho de 1921, vindo, por outro lado, a juntar-se aos missionários Vingren e Berg, juntamente com quem organizou a Assembleia de Deus de Belém do Pará alguns dias depois, em 18 de Junho.

Morreu aos 95 anos, em Portugal, sendo sepultado no cemitério de Valezim.

Fontes:
- "40 anos de história", Assembleia de Deus Pentecostal em Benfica
- "Operation World", 7ª Edição
- "About Mission", John Brand
- "100 Acontecimentos que Marcaram a História das Assembleias de Deus no Brasil, págs. 44 e 45.

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