Nós e as missões

Chamados a um envolvimento pessoal

Precisamos de ouvir mais vezes, de reflectir com mais frequência, nas palavras do Profeta Isaías, aquando da visão que um dia teve e que marcou profundamente a sua vida: “A quem enviarei, e quem irá por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” Isaías 6:8). Ou, como observamos numa lista de temas sugeridos para conferências missionárias: “Se não for eu, quem? Se não for agora, quando”?

O apelo de missões está intrinsecamente ligado a um envolvimento pessoal. Nunca foi intenção de Deus alcançar o seu propósito para a humanidade, fazendo-o sozinho. Não, ele precisa de pessoas, faz questão de, em certo sentido depender delas. Só houve um momento, por razões óbvias, em que Deus não pôde contar com o ser humano, aquando da criação. Quando Jesus deu a Grande Comissão, entregou-a a homens, para ser realizada por pessoas. Apesar de os anjos serem vistos como mensageiros de Deus, não foi a eles que este desígnio foi entregue. Nem tão pouco foi dada a ordem a uma minoria, mas a todos, porque todos não somos demais e todos precisamos de estar envolvidos em missões, sejam elas internas ou externas.

A resposta mais adequada ao desafio de missões hoje, é através de um compromisso pessoal e sem reservas, fazendo uso de todos os meios divinos e humanos ao alcance dos cristãos. Jesus foi enfático quando disse: “ Ide por todo o mundo…”. Agora, de que forma este envolvimento pessoal se pode materializar? Há pelo menos três formas, três possibilidades, nas quais nos poderemos envolver activamente:

1. Vimos, no capítulo dedicado à intercessão, como esta “ferramenta” de Deus é imprescindível no campo missionário. Sabemos, por outro lado, através de relatos e de testemunhos vibrantes, como a história de missões é uma história de orações respondidas. Portanto, ao ler esta secção, a chamada de Deus para si pode ser carregar o peso de intercessão por um povo, uma nação, um missionário, uma família de missionários. O desejo de Deus é levantar um povo disposto a ficar na brecha, a servir de mediador, capaz de se identificar pela causa do perdido.

2. Contribuindo. Sempre penso nas palavras de Jesus aquando da multiplicação dos pães e dos peixes. À preocupação dos discípulos pelas pessoas naquele lugar, o Mestre respondeu: “Dai-lhes vós de comer”. Com estas palavras, Jesus quis transferir parte da responsabilidade de cuidar das pessoas para os seus discípulos. Nós somos igreja, e como tal devemos estar atentos às necessidades no campo missionário e disponíveis para supri-las. Há um princípio financeiro que a igreja não pode esquecer. Dar, contribuir, é uma prática que agrada a Deus, deve ser entendido como um sacrifício espiritual. Contribuir para a expansão do Reino de Deus na terra, é uma prerrogativa dos filhos do Rei. Damos porque somos filhos de Deus, temos a sua natureza. Ele deixou-nos o exemplo, dando-se a si próprio por nós em Cristo Jesus (II Coríntios 5:19). Quanto tenho que dar? A pergunta terá que ser feita de outra maneira: quanto estou eu disposto a contribuir para a obra missionária? Permita que Deus o dirija.

3. Mais importante do que aquilo que podemos dar a Deus é darmo-nos a nós próprios. Nisso são exemplo os crentes Macedónios, que no dizer de Paulo “…se deram ao Senhor e a nós pela vontade de Deus.” (II Coríntios 8:5). Às vezes, pode ser mais fácil para nós darmos daquilo que temos, do que nos apresentarmos disponíveis para ir onde Deus nos mandar. Em princípio, todos poderão orar, muitos poderão contribuir, mas serão por certo menos aqueles que se prontificam como Isaías o fez: “Eis-me aqui”. O profeta não só se apresentou disponível diante de Deus como sentiu a urgência da hora. E nós? Actualmente, a população mundial é de cerca de sete mil milhões de pessoas, muitas das quais a viver sem esperança quanto ao futuro, em continentes como a África onde impera a pobreza e o obscurantismo religioso. O que poderá ser feito para mudar esta situação? Estás tu disponível para Deus? Irás tu responder ao repto de Deus, “A quem enviarei?”, respondendo: “Senhor, envia-me a mim”? Lembre-se, a apatia, a indiferença, a negligência, a indisponibilidade são atitudes que o Senhor da Seara reprova porque essas, sim, são as grandes responsáveis pela perda para sempre daqueles que poderiam conhecer ao Senhor. O que vamos escolher, ser parte do problema ou da solução de resgate da humanidade sem Cristo? 

Espaço Lusofonia



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