Igreja em Benfica apoia a Guiné-Bissau

António Gonçalves é o Pastor Presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Benfica. Depois de deixar Ponte de Sôr e vir para Lisboa, visitou África, na qualidade de responsável pelo Departamento de Missões da Assembleia de Deus em Lisboa. Mais recentemente integrou a direcção do Departamento Nacional de Missões das Assembleias de Deus em Portugal.

DNM - África de língua oficial portuguesa está no seu coração. Como surgiu esta afinidade?

AG - África, e não só a de língua oficial portuguesa, é algo que foi construído no meu imaginário ainda quando adolescente ouvindo as histórias dos Missionários que desbravaram terras difíceis e particularmente África. A história de Livingstone sempre moveu o meu coração e o meu imaginário.

DNM – Que recordações guarda da sua primeira viagem missionária a África?

AG - Na minha primeira viagem visitei, Cabo Verde, África do Sul, Moçambique e Angola. Sem dúvida que Moçambique mexe particularmente comigo. Aterrei em Maputo 5 ou 6 dias depois do fim da guerra civil, e encontrei um país completamente devastado por uma guerra muito prolongada, mas no meio do qual encontrei um povo que adorava a Deus com uma intensidade que eu nunca havia experimentado. Uma das experiências que guardo foi um culto de vigília a que assisti realizado pelos sem-abrigo, refugiados da guerra, que nada mais possuíam senão a roupa puída que traziam vestida, mas que no meio de tanta pobreza adoravam e celebravam a Deus como eu antes nunca tinha visto. A Angola cheguei ainda com a guerra a decorrer, e saí de Luanda apenas até Porto Amboim, e a minha experiência não foi tão impactante como em Moçambique. Achei que Angola era mais auto-suficiente do que os outros países visitados, com excepção da África do Sul.

DNM – A Assembleia em Benfica é conhecida como uma comunidade cristã fortemente empenhada com missões. Isso é fruto de considerar a Grande Comissão como um alvo prioritário da igreja?

AG - A igreja só tem razão de existir para realizar esse propósito da grande comissão,  levar a mensagem de salvação e esperança a todos os que estão perdidos nos seus delitos e pecados, seja em que lugar e em que cultura for, as pessoas precisam saber que a resposta só existe em Jesus Cristo. A grande comissão realiza-se não apenas com a pregação, mas sim com muitas outras actividades "secundárias" mas que de facto são a porta e a forma para chegar com a mensagem a diferentes lugares e necessidades.

DNM – Qual é a importância que um líder de uma congregação tem como factor motivador em missões?

AG - Se o líder não for apaixonado pelo que faz, dificilmente terá uma comunidade motivada. O líder precisa de vencer a miopia espiritual e avançar em conquista. Ora, isso exige esforço, lutas, fadiga, coragem, e determinação para não desistir diante das vicissitudes e, infelizmente, há líderes que não têm visão nem estão para se maçar com coisas que acham que não são responsabilidade sua.

DNM – A congregação que pastoreia adoptou a Guiné-Bissau preferencialmente como o seu campo missionário. Em que contexto é que isso aconteceu?

AG - Aconteceu por uma "coincidência" divina. A esposa do pastor Bifa, pastor na altura em Empada, no Sul da Guiné, veio a Portugal por motivos de saúde, o Pr. Delfim Cordeiro apresentou-ma e ao ouvi-la falar das necessidades da Guiné e meu coração foi estimulado e acabei levando a Igreja comigo.

DNM – Em que consiste o apoio prestado a essa antiga colónia portuguesa?

AG - Começámos por enviar dinheiro para comprarem um terreno em Empada para a construção de uma escola com a Igreja integrada. Dois ou três anos depois eu fui pessoalmente à Guiné para me aperceber de que forma deveríamos fazer um trabalho concertado e não estar apenas a enviar dinheiro de qualquer forma. Depois dessa viagem, concluí que deveria mudar o projecto inicial para Buba onde deveríamos construir uma escola, onde o evangelho fosse ensinado às crianças e aos jovens, maioritariamente filhos de muçulmanos. A escola já está construída, tem cerca de 40 professores e 860 alunos, do primeiro ao décimo segundo ano de escolaridade. Apoiamos financeira, material, académica, social e espiritualmente. Usamos a recolha de recursos financeiros através do apadrinhamento de crianças, adolescentes e professores. 

DNM – Desenvolvem projectos missionário em África em parceria com alguma outra igreja?

AG - Trabalhamos directamente com a Igreja de Buba, mas mantemos um eixo de ligação ao trabalho com a Igreja Central de Bissau e, actualmente, mais directamente como o também nosso missionário parcial Carlos Martins.

DNM  - A igreja em Benfica já enviou por três vezes equipas para trabalhar ali em missões de curta duração. O que fizeram exactamente?

AG - Além de darmos formação aos professores, fazemos trabalho na área da saúde em tabancas (aldeias) e hospitais onde o pouco que possamos levar é sempre mais do que o que eles têm. Pregamos, fazemos seminários etc.

DNM – Um dos desafios que lançou à congregação no âmbito do apoio a prestar aos irmãos ali, tem a ver com o apadrinhamento de crianças. Tem uma ideia de quantas crianças estão já a receber esse apoio?

AG - Entre a Assembleia de Deus em Benfica e a Assembleia de Deus em Paris temos cerca de 100 crianças.

DNM – Pode quantificar o apoio financeiro já prestado à Guiné?

AG - Penso que nos últimos dois anos já gastámos com o nosso projecto na Guiné mais de € 35.000,00, além de muitas coisas que temos enviado e de situações pontuais que temos suprido.

DNM – O missionário Carlos Martins e a sua família, actualmente a servir na Guiné-Bissau, têm um lugar especial na igreja em Benfica. De que forma estão a receber ajuda da vossa parte?

AG - Pagamos a renda da casa que é, a partir deste mês, de € 400.00 e temos enviado algumas ofertas pontuais para situações específicas, além de apoiarmos com oração e mantendo-nos em contacto regular enviando uma outra coisa de necessidade. O projecto do Carlos Martins é muito aliciante e estimulante, pois entre outras coisas visa formar obreiros nativos que não têm condições para estudar em Bissau. Assim, em vez de eles virem à escola, a escola vai até eles, e serão eles os conquistadores, os evangelistas e os missionários nas suas próprias tabancas e nas tabancas da área onde podem ser influência.

DNM – Que outros projectos estão no horizontemissionário da igreja em Benfica?

AG - Gostaríamos de alargar o que estamos a fazer em Buba, a outros lugares da Guiné como Empada, Catió e Bolama, que são lugares de extrema necessidade e que estão muito afastados de Bissau.

DNM – Se alguém quiser associar-se aos vossos projectos missionários em África, como poderá fazê-lo?

AG - Poderá contactar comigo e podemos agendar uma visita à igreja onde poderei apresentar imagens do que temos vindo a fazer e de como podem envolver-se no apadrinhamento.

DNM – Considera o conceito Promessas de Fé essencial ao desenvolvimento missionário?

AG - Considero que é uma ferramenta que tem valido a pena usar mas considero também que se a igreja ficar apenas pelas promessas de fé, terá dificuldade em ir longe, a não ser que a igreja, da sua própria tesouraria, faça uma boa promessa de fé para os seus projectos missionários.

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