Missões: de todos para todos

Quando pensamos em missões, pesa sobre nós uma grande responsabilidade, mas também somos envoltos de um enorme privilégio de sermos participantes na ação redentora da humanidade. Afinal esta é a nossa chamada, sermos testemunhas; afinal este é um ministério ao qual Deus nos comissionou a todos - o ministério da reconciliação.

Como pentecostais que somos, sabemos que o batismo com o Espirito Santo é “promessa do Pai”, logo está disponível para todos os que são filhos de Deus, e Deus quer revestir cada um com ousadia, intrepidez e um desejo ardente para sermos testemunhas ousadas proclamando as boas novas de salvação em Jesus Cristo.

A Grande Comissão deixada por Jesus aplica-se a todos os que são Seus discípulos e a todas as igrejas e congregações. Cada igreja local precisa estar sensibilizada para a grande e urgente tarefa de fazer missões. Necessitamos aproveitar cada oportunidade e dar prossecução à ação missionária. Estamos conscientes que nenhuma igreja pode fazer tudo, mas todas as igrejas podem fazer alguma coisa, ou até mesmo um pouco mais.

Não devemos cair em nenhum de dois extremos: pensar apenas nos que estão longe, ou pensar apenas nos que estão perto. O texto de Atos 1:8 é absolutamente contundente: "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra".

Jesus disse que a nossa responsabilidade de alcançar a nossa Jerusalém é concomitante com a responsabilidade que temos de atingir os confins da terra. Por isso Ele usou os termos “tanto em”; “como em”; “e”; “e até”. O trabalho deve ser desenvolvido simultaneamente.

Jerusalém representa os que são geográfica e culturalmente idênticos; a Judeia representa os que são geográfica e culturalmente próximos; a Samaria representa os que são geograficamente próximos e culturalmente distantes; e os confins da terra representam os que são geográfica e culturalmente distantes. A responsabilidade é a mesma e esta foi dada à igreja. O trabalho deve ser feito simultaneamente.

A igreja só pode ser o que deve ser e fazer o que deve fazer, se tiver uma clara compreensão do seu propósito na sociedade e no mundo. Fomos chamados para evangelizar, para ser luz e sal neste mundo tenebroso.

Quando se perde ou não se vive esta visão, perde-se o foco da verdadeira razão pela qual existimos - ser testemunhas! Não apenas existimos, vivemos com um propósito - a glória de Deus. Isso só pode ser alcançado quando nos envolvemos na obra da reconciliação dos perdidos com Cristo, que veio para buscar e salvar o que se havia perdido.

Entendemos, então, que missões é mais do que realizarmos uma conferência missionária anual ou contribuirmos com uma “promessa de fé” simbólica e depois, à medida que os meses passam, gradualmente nos alienarmos do nosso real compromisso e verdadeiro propósito que temos como Seus discípulos.

Verdadeiro envolvimento em missões é saber que existe uma grande massa de pessoas que precisa ser alcançada com as Boas Novas de Salvação, pessoas que precisam ser discipuladas, missionários que precisam ser cobertos com as nossas orações, animados, visitados, e este envolvimento absorve-nos o ano inteiro.

Missões é estarmos envolvidos de corpo e alma no maior projeto de vida estabelecido pelo próprio Senhor Jesus Cristo. É ter a consciência que Deus nos chamou para um projeto tão grandioso e a Sua palavra nos recorda que essa a razão de ser e estar da igreja no mundo.

Não teríamos razão ou motivação para fazermos a obra de Deus, se não fosse debaixo da autoridade delegada por Jesus. O grande segredo está em saber que o próprio Senhor da terra nos envia para anunciar a salvação. A igreja apenas cumpre um papel de intermediação em missões, cumpre a responsabilidade de ser cooperadora com Cristo.

O tema dos recursos financeiros, da contextualização e de uma mentalidade renovada são, obviamente questões importantes a considerar: No que respeita a recursos financeiros, acredito que estamos num ‘tempo de transição’. Vimos de um período com alguns recursos (o suficiente e mais um bocadinho) e estamos agora num período com menos recursos (o quase suficiente e menos um bocadinho).

Estamos a viver um período de transição relacionado com recursos financeiros, mas também com mudança de mentalidade. Estamos num processo de renovação do entendimento e fortalecimento de convicção de que é possível 'com menos, fazer mais'! Estamos a consciencializar-nos que não são os recursos financeiros que limitam a ação missionária. Mesmo em tempo de crise é possível continuarmos comprometidos com a obra missionária. Indubitavelmente este é um tempo de crise, austeridade, contração, incerteza; mas sem dúvida que é igualmente tempo de oportunidades e grandes desafios em que como igreja e como Movimento das Assembleias de Deus em Portugal devemos continuar a assumir uma atitude de relevância, contextualização e influência, agindo na força e direção de Deus.

Admitindo que, conjuntamente com novas oportunidades e desafios, surgem também novas formas de ver e fazer missões, estamos conscientes que o tempo condiciona o modo e que as estratégias (o nosso modus operandi) para alcançar as pessoas na atual sociedade tem que ser objetivamente contextualizada com o tempo e lugar, de forma a ir ao encontro das suas necessidades reias. Contudo devemos sempre ter em mente que o tipo de estratégia nunca deve descaracterizar a igreja, temos que entender e saber aplicar os princípios bíblicos à realidade dos dias de hoje. Os princípios de ação missionária em Actos e nas Epístolas foram os mesmos em lugares diferentes, mas a estratégia tem que ser diferente em cada lugar.

Sabemos que existe hoje uma grande mobilização missionária entre igrejas, agências e organizações. Nunca houve tanta interação entre líderes de missões como nos últimos tempos. A urgência é grande, a necessidade é agora e o Senhor tem pressa. Por isso, o Espírito de Deus está inquietando muitos crentes em cada igreja para a tarefa de fazer missões.

Não devemos desanimar quando nos deparamos com desafios gigantes que se levantam diante de nós; desafios que parecem estarem muito além das nossas melhores capacidades. Precisamos de visão espiritual, agir em fé e esforçarmo-nos como Movimento para que unidos avancemos sinergicamente.

São efetivamente grandes os desafios, ainda existem em Portugal cerca de quarenta ‘Concelhos não alcançados’, nos quais não existe nenhuma igreja, congregação, missão ou grupo familiar de nenhuma denominação evangélica. Na nossa força perece simplesmente impossível, impossível manter o esforço, assumir novos desafios, fortalecer apoios ou mesmo envolvermo-nos em novas parcerias; mas Deus continua a fazer-nos entender que é possível! Não foi apenas possível com Josué e Calebe, com Gedeão, David, com Paulo e tantos outros que a Bíblia nos recorda a fé, ousadia, determinação e coragem, mas continua a ser possível connosco, no nosso tempo, em meio às nossas adversidades e contingências. Deus quer continuar a usar e abençoar crentes e igrejas que sejam fieis e em obediência avancem apoiando projetos já existentes ou novos projetos. Precisamos também de evangelistas e missionários bi-ocupacionais; homens e mulheres que estejam dispostos através de uma profissão (secular) obter uma base de sustentabilidade total ou parcial para iniciar novos trabalhos ou potenciar o avanço e expansão de várias igrejas, congregações e missões já existentes.

De destacar que a nossa responsabilidade com os Concelhos, povos e etnias, não é de salvá-los, mas sim alcançá-los com o evangelho; a outra parte é do Espírito Santo, que veio para convencer o do pecado, da justiça e do juízo. Portanto, não vamos desanimar diante dos desafios, apenas vamos obedecer a Deus pregando o evangelho e apoiando aqueles que o fazem ‘dentro e fora de portas’. Que a mensagem missionária jamais saia dos nossos corações. Que seja maior o amor pelos perdidos e a disposição de evangelizá-los do que o medo de não conseguir cumprir o “ide” diante da realidade do mundo atual.

A Convenção das Assembleias de Deus em Portugal tem um Departamento Nacional de Missões que visa criar sinergias, ajudando as igrejas locais a estabelecerem parcerias de modo a contribuírem para que se faça em conjunto, o que a maioria não teria condições para fazer isoladamente. O DNM tem ainda como responsabilidade o desafio de consciencializar as igrejas e suas lideranças para a necessidade de como Movimento termos uma ação concertada e aglutinadora através de várias sinergias missionárias. A nossa força aumentará via mobilização conjunta. Muitas vezes não fazemos, outras vezes fazemos descoordenadamente. Temos como repto manter as responsabilidades assumidas e crescer para novos desafios.

Pr. Paulo Gomes
Secretário da Direção Nacional da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal
Coordenador do Departamento Nacional de Missões (DNM)

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