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Timor Leste

Designação Oficial: República Democrática de Timor-Leste

Capital: Díli, cuja população é de 174 000 habitantes

Outras Cidades: Baucau, Manatuto, Aileu e Liquiçá

População: Em 2000, a população de Timor Lorosae estimava-se em 884,541 habitantes. Em 2010, eram 1.171.163 habitantes, prevendo-se que atinja 1.600 habitantes  em 2020.

Os Timorenses representam 95.9% da população, seguindo-se os Indonésios/Javaneses com 3.5% e outros 0.6%.

 

Literacia

A literacia cifra-se nos 58.6%

 

Data da Actual Constituição: Maio de 2002

Língua: As línguas oficiais são o Português e o Tétum, sendo o português compreendido por 13.5% da população.

Unidade monetária: Dólar norte-americano. Para facilitar as trocas comerciais, o Estado cunha moedas de denominação “centavo”.

Recursos Económicos: Cacau, café cravo e coco. Nos últimos anos foram descobertas importantes reservas de petróleo e gás natural.

Portal do Governo:

http//www.timor-leste.gov.tl/

 

PANORAMA RELIGIOSO

Timor é um dos dois únicos países asiáticos com uma maioria católica. O Catolicismo Romano era a religião do estado até 1975, existindo um grande preconceito contra os protestantes e os muçulmanos.

Símbolo da resistência contra a ocupação Indonésia, a Igreja Católica Romana cresceu e está muito activa em programas de apoio aos mais desfavorecidos.

De acordo com Operation World, as Igrejas protestantes surgiram mais recentemente, registando um crescimento modesto. Ainda de acordo com a mesma fonte, a AoG (Assembly of God) que actua no país desde 1960, cresceu particularmente na Ilha de Ataúro e Díli, havendo outras igrejas presentes ali.

Os Cristãos representam 87% da população, seguindo-se as religiões com raiz étnica 10.81%, seguindo-se os muçulmanos com 1.10%.

 

1. Principais Blocos Religiosos

De acordo com o Departamento de Religiões, à data de 1998, estavam registados oficialmente os principais blocos religiosos:

Cristãos

Islamitas

Hindus,

Budistas

 

2. O Evangelho em Timor

    a. A Igreja Evangélica

    O início da Igreja em Timor está ligado ao casal Seabra Gomes.

Foi na década de 60 que o casal Gomes ouviu acerca do Evangelho, segundo se crê por intermédio do testemunho de um militar chamado Manuel Marreiros, que depois de cumprir o serviço militar ficou como funcionário dos serviços meteorológicos. Mais tarde, com a vinda de missionários ingleses e americanos foram baptizados e consagrados ao ministério pelos missionários McBrid e Dr. Billman.

Na casa do casal Gomes, em Balide, Dili, haviam entretanto começado reuniões regulares de partilha do evangelho. Em Maio de 1969, chagaram a Timor os missionários Miguel e Carmina Coias, com os três filhos que tinham na altura. Os cultos continuaram na referida casa até ser inaugurado o novo templo, em Vila Verde-Dili, decorria o ano de 1971. Entretanto, o evangelho expandiu-se e chegou a alguns Quilómetros de Dili, nas localidades de Fatu-Meta e Tibar.

Em 1975 a sua casa foi destruída por uma bomba lançada pelos então guerrilheiros da Fretilim, ferindo o casal que precisou de ser hospitalizado, voltando a Ataúro. Depois de reconstruída, a casa voltaria a ser atacada, decorria o ano de 1999, agora por acção das milícias, sem no entanto causar danos físicos.

Um acidente gravíssimo de automóvel, em Agosto de 1969, viria a provocar o falecimento do filho mais novo do casal Coias e a provocar lesão cerebral grave do pastor José Gomes, deixando-o com uma mobilidade mais reduzida. Ainda assim, ele e a sua esposa  aceitaram o desafio de ir viver para a Ilha de Ataúro, como missionários. Apesar das suas limitações físicas continuou a ensinar os obreiros locais até ao seu falecimento, no ano de 1988. Deixou um alicerce espiritual de valor incalculável.

Após o falecimento do seu marido, Maria de Fátima Gomes continuou a obra do evangelho desenvolvida pelo casal, mantendo-se no activo ainda hoje e permanecendo como uma referência para os cristãos ali. Foi homenageada pelo presidente do Governo de Timor, Dr.Ramos Horta, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em Ataúro e Timor. Durante a cerimónia foi enfatizada a sua obra, nomeadamente entre os doentes, como transmitiu ensinamentos práticos de costura, nutrição, cuidados para com as crianças, aconselhamento de famílias, e como tudo isso se reflectiu na vida do povo.

 

b. Os primeiros missionários – Miguel e Carmina Coias

Testemunho contado na primeira pessoa

Estávamos em 1969, servindo o Senhor em Coimbra, em cooperação com o saudoso e amado pastor José Pessoa, quando chegou até nós um clamor desde o longínquo Timor: "Passa a Timor e ajuda-nos" (Actos16:9).  Era um pequeno grupo de crentes que se reuniam na casa do pastor timorense José Gomes para cultuar ao Senhor, na cidade de Díli – Timor e pediam ajuda. "E era-lhe necessário passar "por Timor"”(João 4:4).

Um dia, enquanto caminhava em Lisboa, pensava na nossa hipotética ida para Timor. Ao passar pela muito conhecida e concorrida Rua Morais Soares, vi uma folha dobrada que era levada pelo vento. Corri a apanhá-la. Porquê? Depois entendi: era uma página solta, possivelmente de algum livro de geografia, onde só se falava de Timor: a população, a paisagem, o clima. Ainda tenho essa folha em meu poder. Não esqueçamos que Deus nos fala de muitas maneiras (Hebreus1:1).

À chegada a Timor, de avião, quando já sobrevoávamos as aldeias de palhotas feitas de palapa, rodeadas de vegetação, observava lá de cima com alegria e curiosidade. De facto, não era a primeira vez que as via. Disse à minha mulher: “Eu já vi estas aldeias, em sonhos, quando ainda estávamos em Coimbra.”

Quando Deus nos chamou para Timor, e lá chegámos em Maio de 1969, não poderíamos imaginar o que Deus tinha para fazer ali. Não tínhamos dúvidas da chamada, que foi confirmada em nosso coração de muitas maneiras, e nem a morte inesperada do nosso filho veio quebrar essa confirmação. Ali encontrámos um pequeno número de crentes e o dedicado casal, pastor José Augusto Seabra Gomes e a sua esposa, irmã Fátima Gomes, que foram os grandes companheiros e conselheiros no nosso tempo e os continuadores da obra de Deus.

Ainda no nosso tempo, em 1970, o pastor Gomes, embora com alguma limitação física como resultado do acidente em que faleceu o nosso filho, foi com a sua esposa e os filhos menores para ilha em frente a Timor, Ataúro, onde já havia algum conhecimento da palavra de Deus. Ali a população havia sido evangelizada por missionários  indonésios, há muitos anos atrás, mais tarde expulsos pelas autoridades portuguesas que apenas favoreciam o catolicismo. Alguns irmãos de Ataúro ainda tinham no corpo as marcas dos maus tratos infligidos nessa altura por serem crentes.

A ilha foi visitada por mim e pelo pastor Gomes e esposa logo após a nossa chegada, e eles sentiram o desejo de se mudar para lá e evangelizar e ensinar aquele povo. Nessa altura, a ilha de Ataúro era um lugar de extrema pobreza e doenças de toda a espécie, incluindo tuberculose e lepra. O casal Gomes tinha planeado mudar-se para lá no dia 28 de Agosto de 1969. Porém, dois dias antes aconteceu o acidente já referido que o deixou  em coma por duas semanas, e parcialmente paralisado.

Contudo, o plano de Deus não foi mudado, e assim que se recuperou milagrosamente, partiram para Ataúro. Aí começou o milagre de mudança que deu àquela ilha  uma nova vida, espiritual e económica, difícil de imaginar-se possível. Anos depois, um jornalista português chamaria a Ataúro o jardim do Éden.

No nosso tempo, abrimos lugares de culto na periferia de Díli e em alguns lugares do interior onde já havia interesse pela Palavra de Deus. Construímos um templo em Díli, e algumas casas de palapa, provisórias, para celebrar os cultos. Nesses lugares convidávamos quem precisasse de  tratamento para as muitas feridas expostas e esse meio de ajuda trouxe famílias que vieram a aceitar o Evangelho. Houve muitas conversões e muitos novos irmãos foram baptizados.

Quando em 1993 visitámos Timor e Ataúro, ficámos maravilhados por ver o resultado da dedicação do casal Gomes, e as novas casas de oração e os novos obreiros dedicados, levando em frente o grande ministério. Hoje há em Timor 122 obreiros, número que inclui pastores consagrados, diáconos e  cooperadores, 64 casas de oração, umas de construção definitiva outras de construção provisória, e 12.000 crentes, por toda a ilha.

Na nossa visita de um mês, em Julho de 1993, tivemos um tempo de Escola Bíblica, com todos os obreiros, que se podem ver nas fotos que vamos expôr nesta Folha Solta.

O Governador de Timor na altura da nossa visita, lembrava-se de nós e pôs ao nosso dispôr um jipe  e um helicóptero para as deslocações ao interior da ilha de Timor e no Atáúro. Fez ainda questão de nos receber numa visita ao seu escritório, no Palácio do Governo.

É de grande conforto pensar que Deus, na Sua bondade, permitiu usar-nos como participantes de uma tão grande obra. A Deus toda a glória!

Miguel Coias

 

c. Um substituto a prazo

O pastor Virgílio Condesso e a sua esposa Maria Condeço, que foram substituir o casal Coias, em Janeiro de1974, tiveram  um ministério de apenas 8 meses, pois a guerra forçou-os a sair inesperadamente.

Nota

Por enquanto não dispomos de mais informação sobre o curto período em que o referido casal esteve em Timor. Logo que nos seja possível, completaremos a informação.

 

3. Viagens missionárias de apoio

O pastor Juvenal Clemente tem visitado Timor Lorosae. A sua ligação a este país começou por volta do ano de 1975, quando se tornou secretário de missão da Assembleia de Deus de Lisboa, uma proximidade que assumiu maior relevância quando em 1981 chegou a Macau como missionário. Entre 1987 e 1991, juntamente com a sua esposa visitou Timor em viagem missionária.

Durante a sua permanência no então território de Macau sob administração portuguesa, cerca de 17 anos, fez chegar ajuda diversa em pequenos pacotes postais aquele país do extremo oriente, particularmente literatura e bens de primeira necessidade, na ordem dos 1000 kg. Outras ajudas foram conseguidas, quer através de Macau como de Portugal, nomeadamente através da Cruz Vermelha, que doou 10 tendas em excelentes condições, cada uma com uma sala e dois quartos.

Numa das visitas em que permaneceu por algum tempo em Timor, apercebeu-se da perseguição religiosa que era movida contra os crentes em certas zonas do país, onde era possível encontrar dísticos com frases tais como: “morte aos protestantes”, “só queremos a igreja católica, destruição a todos os outros”. E foi neste clima de hostilidade para com os crentes, que o Pastor Juvenal integrou um grupo de pessoas que foi falar com o Bispo Católico D.Carlos Ximenes Belo, dando conta da perseguição movida aos crentes. Ficou a promessa por parte do Bispo de verificar o que se passava, atribuindo este clima de hostilidade a “alguns fanáticos”.

Numa outra visita aquele país, foi portador de US$5.000.00, oferta enviada pelo Departamento Nacional de Missões, destinada à reconstrução do Centro de Jovens, que serve simultaneamente a Escola Bíblica, também alvo de destruição. Da parte da Aliança Evangélica Portuguesa, seria entregue aos irmãos em Timor uma oferta de Esc. 1.369.525.00, para além de Bíblias, livros, entre outros.

Pelo meio ficam ainda inúmeras experiências nas suas andanças por várias localidades, como foi o encontro tido com Xanana Gusmão, o primeiro Presidente de Timor Lorosae, que agradeceu as orações em seu favor e pelo povo timorense. O presidente ficou muito sensibilizado, quando o Pastor Juvenal Clemente lhe mostrou uma fotografia que tinha tirado com os pais durante a última visita que efectuou ali. Emocionado, disse que a sua mãe iria ficar muito contente.

 

4. Presentemente

Os dados que a seguir reproduzimos, foram-nos enviados pela irmã Maria do Céu Gomes, filha da Pastora Maria de Fátima Gomes, presidente.

a. Direcção Nacional

A Direcção Nacional é composta pelos seguintes elementos:

Presidente: Pra. Maria de Fátima W. Gomes; Vice-presidente: Delfim Dias; Secretário: Adão Baptista Gomes; Tesoureiro: Samuel Belo; Comissário: Pedro Soares

 

Fontes:

Informação Interna

Pr. Miguel Coias

Pr. Juvenal Clemente

CPLP – Comunidade de países de Língua Portuguesa

Operation World, 7ª. Edição

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