No terreno

À conversa com

Harry e Beth Osland são missionários das Assembleias de Deus dos EUA,  e residem em Portugal desde 1988.  Beth é licenciada em Ciências Laboratoriais e em Educação Cristã, enquanto o seu marido é licenciado e mestre em Teologia.  Foram os directores do Instituto Bíblico do Monte Esperança em Fanhões (o actual MEIBAD), desde 1994 até ao ano 2007, sendo actualmente membros da Direcção da referida escola.  Desempenham os cargos de director e professora da escola por extensão (STM), e dele é também director da escola por extensão em Angola e em São Tomé e Príncipe.  Presentemente, repartem o seu tempo entre Portugal e os PALOP (Países Africanos da Língua Oficial Portuguesa.) 

Colocámos cinco perguntas ao casal

PubliÁfrica: Repartir o ministério entre a Europa e África, quais missionários itinerantes, é uma experiência nova para vós. Como é que encaram este desafio?

H & B – Pois, é um novo desafio.  Há muitas mudanças e adaptações necessárias para servir em outras culturas. Uma das coisas mais importantes que sempre temos que lembrar é a arte da observação, ou seja, o missionário tem que passar um bom tempo observando antes de dar a sua opinião.  Outra coisa são as características das outras culturas, que não são erradas ou certas, simplesmente são maneiras “diferentes” das nossas.  Ao nível do conforto de Portugal, é claro que em África a vida é bem diferente.  Mas nós, não tendo a nossa família connosco, conseguimos a adaptar-nos aos desafios tais como a falta de luz e de água, e outras coisas que tomamos por garantidas na Europa.  Temos descoberto que a graça de Deus é suficiente para todos os desafios e que o gozo que experimentamos ao ministrar é uma grande ajuda! 

PubliÁfrica: Recentemente estiveram em São Tomé e Príncipe. Foi a primeira vez ali? Qual foi o objectivo desta viagem?

H & B - Na realidade, foi a nossa segunda viagem missionária a S. Tomé.  Fomos para dar continuidade ao programa de estudos bíblicos “Raízes da Fé”, que lançámos na primeira visita.  Para além deste trabalho, demos seminários aos vários níveis de liderança da igreja são-tomense e pregámos em muitas igrejas. Fomos convidados pela liderança nacional da igreja em São Tomé para ajudar na área de formação, portanto planeámos visitas periódicas para concretizar esse fim. 

PubliÁfrica: Já visitaram Angola por diversas vezes tendo, inclusive, levado alguns alunos convosco. Falem-nos um pouco das actividades que ali desenvolveram.

H & B - A nossa experiência em África começou em Angola, no ano 2005.  Fomos convidados para ensinar na escola a nível da Licenciatura.  Desde então, o ministério tem desenvolvido conforme as necessidades que a liderança da igreja nacional tem indicado.  Eles identificaram uma grande necessidade de ensino descentralizado para que os pastores e os obreiros pudessem estudar a Palavra de Deus.  Nós tivemos um projecto para ajudar a suprir a necessidade, do qual nasceu o programa que se chama “Raízes da Fé”.  Actualmente temos núcleos deste programa em 35 localidades que alcançam mais de1300 alunos.  Para além disso, temos tido o privilégio de estar envolvidos na construção de oito igrejas e temos terreno na cidade de Huambo cujo fim será o desenvolvimento de um centro de treinamento de liderança. 

PubliÁfrica: Na vossa perspectiva, quais são as maiores necessidades que as igrejas e os ministérios enfrentam na África Lusófona?

H & B - Sem dúvida, é o ensino. A igreja africana é uma igreja de jejum e oração sem igual.  Angola e São Tomé estão a viver tempos de verdadeiro avivamento.  Em todos os cultos, pessoas estão a aceitar Cristo como Salvador. Mas o desafio é providenciar oportunidades para pessoas com uma chamada para o ministério receberem o treinamento e o ensino bíblico e teológico, para “conservar” o avivamento e para que elas, por sua vez, sejam os professores no futuro. 

PubliÁfrica: Quais são os projectos que têm para este ano de 2010?

Para além da nossa cooperação contínua com a igreja portuguesa e com o Monte Esperança, vamos passar seis meses em Angola dando continuidade ao programa “Raízes da Fé” e desenvolvendo o próximo nível de ensino.  Queremos arrancar com a construção do centro de treinamento no Huambo e claro, voltar a São Tomé para lançar o segundo ciclo da Raízes lá. No entanto, temos que passar algum tempo nos EUA visitando a família e em reuniões com vários pessoas que estão a ajudar nos projectos tanto para Portugal como para os PALOP. 
 

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