Embora já conhecesse vagamente o bambu, foi em Macau, onde vivi com a minha família, que tive a oportunidade de conhecer mais de perto esta versátil e admirável planta que pode chegar a atingir entre 25 a 30 metros de altura. Ali bem perto da nossa casa, no Jardim de Lou Lim Iok, um local muito aprazível que visitamos inúmeras vezes, era possível encontrá-lo de um modo muito particular.
Recordo-me, a propósito, de uma lembrança que um dia recebemos de um amigo: um porta-canetas feito desta cana.
O bambu desenvolve-se a partir de uma semente que permanece oculta por cerca de quatro anos. Embora não seja visível nesse período de tempo, excepto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bolbo, o seu crescimento é subterrâneo numa maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende tanto na vertical como na horizontal. Finalmente, ao quinto ano, o bambu chinês começa então a crescer.
Esta planta presta-se para um número infindável de utilizações, desde artigos para o lar, para o escritório, para a indústria, mobiliário diverso, etc. Num site que consultei para o efeito, encontrei cerca de trezentas aplicações desta planta, enumeradas de A a Z. Porém, o que mais me surpreendeu na sua aplicação foi o seu uso na construção civil, ali em Macau. Ao contrário do que vemos em Portugal, por exemplo, onde os andaimes nalguns casos são ainda uma estrutura pesada, ali não, são canas de bambu presas entre si por fitas. Aqueles enormes andaimes, manuseados com uma mestria e facilidade incríveis, permitem aos trabalhadores uma grande mobilidade e segurança.
Alguém escreveu o seguinte: “Muitas coisas na vida (pessoal e profissional) são iguais ao bambu chinês. E eu acrescentaria que na vida espiritual sucede o mesmo, ou seja, investimos fortemente vários recursos em pessoas e projectos por períodos de tempo mais ou menos longos e parece que nada acontece. Regra geral, a tendência é para desanimar, deixar de acreditar, desinvestir. Daí a importância de permanecer “firmes e constantes”, tal como nos sugere S.Paulo, que nos anima a prosseguir de forma aplicada, pois segundo ele o nosso “trabalho não é vão no Senhor” (II Coríntios 15:58). O quinto ano chegará, finalmente, e os resultados esperados aparecerão e deixar-nos-ão surpreendidos.
Esta é a lição básica que aprendemos do bambu chinês, que não podemos desistir facilmente, seja em que área for da nossa vida e do ministério, sob pena de não alcançarmos o propósito que nos move. Quando investimos/semeamos sob a direcção de Deus, precisamos de ser perseverantes em todo o tempo, pois Deus, que também é perseverante, deseja compensar-nos abundantemente. Ele não começa nenhuma obra para a deixar incompleta. Exemplo disso é a nossa própria vida, que Paulo refere como “A boa obra que Deus começou em nós e que tenciona aperfeiçoá-la” (Filipenses 1:6,9). Henry Ford, Fundador da Motor Company, disse: “Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”.
Se está a pensar desistir de algum projecto, do seu casamento, por exemplo, de um filho rebelde, de um amigo que teima em resistir ao evangelho, ou qualquer outra situação que esteja a viver, lembre-se do bambu chinês e não se deixe vencer pelas dificuldades que surgem, mas mantenha-se no processo. Lembre-se, investir é um acto, crescer é um percurso que requer grande empenhamento e paciência da nossa parte. O quinto ano está prestes a chegar e com ele o materializar do desejo do seu coração, o retorno do investimento, a beleza do crescimento, a alegria da colheita.
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