Como era seu hábito, quando chegava a uma cidade Paulo procurava a sinagoga dos judeus para aí pregar. Foi assim em Tessalónica (actual Salónica), capital da província da Macedónia, com uma população estimada em cerca de 200 000 habitantes, onde ele falou de Jesus Cristo de Nazaré (Actos 17:1-3). Muitos dos seus ouvintes creram e se juntaram a Paulo e Silas, porém alguns dos judeus moveram-lhe perseguição.
Pela calada da noite, eles partiram dali para Bereia, uma cidade que distava cerca de 80 km de Tessalónica e, como de costume, dirigiram-se à sinagoga (Actos 17:10), e anunciaram a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o centro da mensagem do evangelho (I Coríntios 15:1-5). Viram resultados da fé, sofreram perseguição. Poder-se-ia pensar que a experiência desagradável que Paulo vivera em Tessalónica o teria desencorajado a disputar de novo com os judeus na sinagoga, mas não. Aqui, porém, foi diferente. Diz que os de Bereia eram “mais nobres” (Actos 17:11). Tratar-se-ia de pessoas distintas, imparciais, livres de preconceitos, de elevada nobreza espiritual, com notáveis traços de carácter.
Quando entrou na sinagoga ali, Paulo descobriu um grupo de pessoas profundamente interessadas e empenhadas no estudo das Escrituras do Velho Testamento. Três características sobressaem nestes crentes:
1. De bom grado receberam a Palavra
2. Examinavam as Escrituras
3. Faziam-no numa base diária
Diante de uma congregação que com avidez escutava os ensinos da Palavra de Deus, Paulo deve ter-se sentido encorajado e motivado a pregar. Myer Pearlman, comentando a atitude dos bereanos disse: “É o ouvinte que faz o bom pregador. Quando a congregação fixa a sua atenção na mensagem do pregador, este se sente constrangido a pregar. A expectativa ajuda a produzir a inspiração”.
Lemos que não somente receberam a Palavra como também a examinavam regularmente. De facto, eles confrontavam o que Paulo lhes dizia com as Escrituras para saber se era verdade ou não o que escutavam (Actos 17:11). Não “embarcavam” em qualquer discurso, como acontece com alguns hoje. Infelizmente, cristãos incautos há que se deixam levar por “vãs subtilezas”, não sendo capazes de examinar o que supostos “mestres” da Bíblia lhes ensinam. Para aqueles “nobres” de Bereia, ninguém estava acima do prumo da Palavra de Deus, nem mesmo Paulo.
Este, por sua vez, não se terá sentido incomodado ao ver as suas declarações passadas a “pente fino”, nem nos parece que em algum momento terá suposto que a sua autoridade apostólica e consequentemente os seus ensinos estariam a ser postos em causa. Porém, há alguns hoje que se sentem algo incomodados quando são questionados ou confrontados com a verdade das Escrituras, tal como naqueles dias. Jesus não teve problemas em censurar os pretensos mestres nos seus dias: “Errais, não conhecendo as Escrituras…” (Mateus 22:29). A enorme onda de heresias e seitas que pululam à nossa volta, enredando a muitos, vingam ou têm vingado por falta de discernimento e sentido crítico daqueles que não sabem ou não têm a coragem para o fazer.
Sigamos o exemplo dos bereanos que não se limitavam a ler a Bíblia superficialmente. Eles fielmente a “examinavam”, investigavam, comparavam e testavam a mensagem que ouviam. E porque é que o faziam? Para não serem confundidos. E para que tal não aconteça nunca, devemos seguir o conselho de Paulo nas suas Cartas, repetido várias vezes: “Que diz a Escritura”?
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Abel Tomé, é graduado em Teologia e Educação Cristã pelo Instituto Bíblico de Portugal, Fanhões. Foi Missionário em Macau e em Moçambique durante 9 anos. Actualmente dirige a PubliÁfrica, um ministério de apoio às igrejas nos PALOP, sendo ainda o editor da revista Mulher Criativa.
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Reflexão, é-lhe oferecida pela ABLA, Associação de Beneficência Luso Alemã, Carcavelos, uma instituição fundada no ano de 1984 e filiada na Aliança Evangélica Portuguesa.
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