Poucas expressões na Bíblia se revestem de tão profundo significado espiritual, tanto para o povo de Deus naqueles dias como para nós hoje, como a que serve de título a esta meditação baseada no capítulo 11 e versículo 10 de Isaías. A ideia central é a de que “Ele é a nossa possessão”. Jeremias, outro dos grandes profetas, expressa o mesmo sentimento ao afirmar: “ A minha porção é o Senhor, diz a minha alma” (3:24). Numa linguagem poética e aludindo à intimidade com Deus, o autor de Cânticos dos Cânticos escreve: “Eu sou do meu amado e Ele é meu…” (2:16).
É frequente encontrarmos nas Escrituras a palavra “O meu Deus”, uma clara indicação de que cada um de nós, como filhos de Deus, somos o foco do Seu cuidado e interesse particular. É nesse sentido que vão as palavras de Maria, mãe de Jesus, ao dizer:
“Deus, meu Salvador” (Lucas 1:27), convicção partilhada também pelo apóstolo São Paulo: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Em ambos os casos, a salvação e todas as bênçãos a ela inerentes são de natureza pessoal, vindo até nós quando nos apropriamos delas de modo individual.
Assim, quando é mencionado na Bíblia “O Deus de…”, referindo-se a alguém em particular, está certamente a evidenciar aspectos que caracterizavam o relacionamento entre Deus e essa pessoa: o grau de proximidade e intimidade que havia entre ambos, a dedicação ao Senhor, a grandeza das bênçãos, a manifestação da sobre excelente grandeza do seu poder, o Seu cuidado, entre outros. Vejamos alguns exemplos:
1. O Deus de Abraão
É o Deus da promessa, Aquele em quem não há mudança nem sombra alguma de variação, que se mantém fiel à Sua palavra (II Pedro 1:4).
2. O Deus de Isaque
É o Deus que abençoa, pois lemos: “E engrandeceu-se o varão, até que se tornou mui grande” (Génesis 26:12,13). Ele é a origem de todas as bênçãos.
3. O Deus de Jacó
É o Deus que transforma. Jacó, homem falho, como qualquer um de nós, foi alvo da graça que aperfeiçoa e corrige. Deus corrige a quem ama (Hebreus 12:6) e “feliz o homem que aceita que Deus o corrija (Jó 5:17).
4. O Deus de Elias
É o Deus de poder, Aquele que faz maravilhas, que destrói o inimigo, que capacita aqueles que chama. Ao desafiar os profetas de Baal, notamos que Elias demonstrou invulgar ousadia e fé inabalável. Nós servimos ao mesmo Deus!
5. O Deus de Daniel
É o Deus que livra quem n’Ele confia. Daniel era um homem íntegro, corajoso e temente a Deus. No momento de grande provação porque passou mostrou-se fiel Àquele que demonstrou toda a suficiência. Confiemos no Senhor!
6. O Deus de Paulo
É o Deus de propósito definido. Perante o rei Agripa, Paulo fez uma transcrição da chamada de Deus para a sua vida (Actos 26:16), posteriormente mencionada nalgumas das suas epístolas. Deus tem um propósito para cada um de nós!
O Deus de todos estes homens é o nosso Deus também, cujas verdades atrás descritas e evidenciadas nas suas vidas se aplicam de igual modo a nós. Então, Deus é aquele que promete, abençoa, transforma, capacita, livra e usa.
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Abel Tomé, é graduado em Teologia e Educação Cristã pelo Instituto Bíblico de Portugal, Fanhões. Foi Missionário em Macau e em Moçambique durante 9 anos. Actualmente dirige a PubliÁfrica, um ministério de apoio às igrejas nos PALOP, sendo ainda o editor da revista Mulher Criativa.
Reflexão é-lhe oferecida pela ABLA, Associação de Beneficência Luso Alemã, Carcavelos, uma instituição fundada no ano de 1984 e filiada na Aliança Evangélica Portuguesa.
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