Abel Tomé - Os Outros 300

“300” é a adaptação ao cinema da novela com o mesmo nome, cujo argumento se constrói em torno da antiga batalha de Termópilas. A história apresenta Leónidas, Rei de Esparta, que conduz a sua guarda pessoal de 300 homens a  Termópilas, nome cujo significado literal é o de “Portões Quentes”, um local onde os persas planeavam invadir a Grécia. Nesta ocasião, Leónidas comanda apenas a sua guarda pessoal porque o exército não tem permissão para sair do território espartano durante o festival da Carnéia. A história termina com os guerreiros de Leónidas mortos na batalha, apenas se salvando um, Dílios, que vai a Esparta contar a história dos 300. As sua mortes gloriosas capacitam o resto dos exércitos gregos a preparar as suas defesas e a repelir os invasores estrangeiros.

 

     Esta impressionante história de guerra faz-nos lembrar uma outra que envolve também 300 homens. Durante sete longos anos, Israel foi oprimido pelos midianitas que destruíam sistematicamente os seus campos de cultivo (Juízes 6:1-10), mantendo-os na miséria e em aflição, até ao dia em que o povo na sua angústia clamou ao Senhor. Então Deus levantou Gideão, o filho de Joás, que libertou Israel das suas mãos.

 

     Depois de destruir o altar de Baal e ter cortado o bosque ( 6:25-32), Gideão reuniu 32000 homens para batalhar contra a poderosa aliança entre midianitas e amalequitas (Juízes 6:33-35). Deus, no entanto, tinha um plano completamente diferente que implicava logo à partida uma redução drástica deste número, conforme explicou a

Gideão: “…muito é o povo que está contigo, para eu dar os midianitas em sua mão; a fim de que Israel se não glorie contra mim dizendo:  “a minha mão me livrou”(Juízes 7:2). Deste modo, Deus esperava que o povo compreendesse claramente que a glória pertence ao Deus de Israel e somente a Ele.

 

     Se, no âmbito individual ou colectivo, estamos empenhados em submeter-nos ao plano de Deus ao invés de seguirmos com o nosso próprio plano por muito bem arquitectado que seja, então é necessário prestar atenção a alguns aspectos desse mesmo plano.

     Avançar de acordo com a direcção de Deus é garantia de vitória, a avaliar pelo que aconteceu com Gideão. Ignorar o Seu plano é insensato, tal como nos sugere Tiago na sua Carta no capítulo 4, versículo 13 a 17, ao lembrar-nos que deve ser Deus a ter sempre a palavra final nos nossos planos e projectos. Aprender a incluí-l’O em tudo o

que pensamos fazer é sábio da nossa parte, pois depressa concluiremos que, de facto, Ele sabe o que é melhor para nós.

 

1. Deus tem sempre o melhor plano

    Pode não ser o plano mais fácil, agradável ou popular, mas é seguramente o melhor.    Tomemos como exemplo o caso de Pedro após uma noite a tentar pescar, sem qualquer

resultado. O seu plano seria, provavelmente, chegar a terra, guardar os apetrechos da pesca e ir para casa descansar. Porém, depois de obedecer à ordem de Jesus (Lucas 5:4-8), descobriu que afinal o Senhor tinha um plano bem melhor para ele.

 

2. É seguramente um plano diferente

   Gideão preparou-se para a batalha com 32000 soldados, acreditando que seria um número razoável para vencer os midianitas, mas Deus pensou de modo diferente. Temos a tendência para fazer planos que nos tragam satisfação e nos favoreçam mediante o esforço que neles empregamos. Paulo, aliás Saulo de Tarso, usou de todos os meios ao seu alcance para destruir os cristãos. No entanto, Deus tinha um plano bem diferente para ele.

3. Tem características muito próprias

    Qualquer plano tem as suas especificidades. Comandados por Gideão, aqueles 300 homens rodearam milhares de midianitas durante a noite, armados não com armas letais, mas com trombetas, cântaros e tochas. Foi em resultado da aceitação  das características específicas do plano de Deus que o Senhor se mostrou fiel com tão

poucos. Se eles não estivessem dispostos a seguir à risca cada detalhe do plano que Deus elaborou, certamente que teriam perdido algo de muito bom para as suas vidas.

Pergunto: Será que à semelhança de Gideão e dos seus homens Deus nos quer  igualmente dirigir numa direcção diferente que jamais imaginámos?

4. O êxito do plano depende de:

    a. Confiança na ajuda do Senhor. Gideão sentiu-se inadequado para desempenhar a tarefa (6:15), acabando convencido de que o Senhor o ajudaria. Tal como Gideão não raras vezes nos sentimos incapazes diante das tarefas que temos para executar. Precisamos então de confiar no Senhor, que deseja mostrar-se fiel connosco.

    b. Submissão. Para que o plano de Deus resultasse em pleno, Gideão e os seus  

homens teriam que submeter-se incondicionalmente ao Senhor, o que nem sempre

é fácil. O que terá pensado Gideão ao ver uma redução tão drástica no número de guerreiros que Deus designou? Nunca saberemos, mas fica o retrato de alguém que

preferiu o caminho da submissão à vontade de Deus Esta é a marca distintiva de uma vida que pretende agradar ao Senhor.

    c. Perseverança. É preciso uma grande convicção e uma fé determinada para avançar

com 300 homens desarmados contra um exército de vários milhares. Deus honrou

a fé deles conduzindo-os numa grande vitória. De igual modo, Deus deseja dar-nos

a vitória que precisamos se O honrarmos em fé (Hebreus 11:6).

    d. Convicção. Muitas pessoas têm opiniões interessantes, mas poucas permanecem

nas suas convicções. Ali estavam 300 homens, mas “ ficou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial” (7:21). Já pensou nos resultados que seriam alcançados hoje se cada um de nós permanecesse no seu lugar, em fidelidade?

 

Vários séculos antes de Leónidas e os seus 300 guerreiros morrerem na lutacontra os Persas, Gideão e os seus 300 homens derrotaram os inimigos de Deus. Daqui aprendemos a seguinte lição: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo, para confundir as sábias; e escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. “…para que nenhuma carne se glorie na sua presença” (I Coríntios 1:27,29).

 

Muito mais podemos aprender com Gideão e a forma como Deus o guiou. Concluimos que a união é requerida no caminho para a vitória, a certeza de que o sucesso não depende de números e, finalmente, que Deus está activo na história.

 

 

Abel Tomé, é graduado em Teologia e Educação Cristã pelo Instituto Bíblico de Portugal, Fanhões. Foi Missionário em Macau e em Moçambique durante 9 anos. Actualmente dirige a PubliÁfrica, um ministério de apoio às igrejas nos PALOP, sendo ainda o editor da revista Mulher Criativa.  

Reflexão, é-lhe oferecida pela ABLA, Associação de Beneficência Luso Alemã, Carcavelos, uma instituição fundada no ano de 1984 e filiada na Aliança Evangélica Portuguesa.

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