Por ocasião do meu aniversário, há uns anos atrás, a minha mulher e as minhas filhas fizeram-me uma agradável surpresa, convidando alguns dos meus amigos para festejarem comigo. Tudo no maior secretismo, claro. Nesse dia, ao chegar a casa ao fim da tarde, eu não imaginava encontrar a sala de jantar com tantas pessoas. Como se não bastasse, o bolo de aniversário estava coberto com um desenho do Estádio do FC Porto, não fosse eu um homem do Norte. Naturalmente que me emocionei perante uma recepção daquelas, ao ver os meus amigos ali a alegrarem-se por mais um ano de vida que o Senhor me tinha concedido.
Tenho pensado naquelas surpresas que vêm da parte de Deus para nós. Ele tem prazer em surpreender-nos. Porém, não esperemos que o faça sempre dentro dos moldes por nós idealizados. Quando menos esperamos, eis que o Senhor surge e nos surpreende de modo a deixar-nos muitas vezes sem palavras, quase sem capacidade para reagir. A propósito, já alguma vez Deus o surpreendeu?
Imagine que está no templo, diante do altar, no exercício da sua função sacerdotal, a oferecer incenso, e é surpreendido pela presença de um anjo, que se coloca em pé ao seu lado e lhe diz: “A tua oração foi ouvida e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João”. Foi o que sucedeu com o sacerdote Zacarias. Ele nem queria acreditar que Deus o presenteara com a visita de um anjo para o informar de que iria ser pai. Sendo já avançado em idade tal como Isabel, sua mulher, ainda com a agravante de ela ser estéril, a esperança de vir a ter um filho era cada vez mais remota (Lucas 1:7). E é precisamente nas alturas mais improváveis, que à semelhança de Zacarias, Deus decide não raras vezes surpreender-nos com presentes que nós não imaginávamos. Ele deseja trazer novidade à nossa vida, mesmo contra todas as probabilidades. Por outro lado, aprendemos que Deus nos pode surpreender em qualquer fase da nossa vida.
Imagine agora que está no interior de uma fortaleza que se encontra cercada por um poderoso exército que não desarma enquanto não houver uma rendição. Lá dentro permanecem o Rei e o seu exército, famílias inteiras, um povo impotente para se libertar pelos seus próprios meios, a menos que Deus intervenha. Os dias passam, os alimentos escasseiam, a fome começa a tomar conta das pessoas, a angústia aumenta, a esperança de livramento começa a desvanecer-se. O que fazer quando aparentemente nada há a fazer? Então eis que surge algo inesperado, o exército sitiante foge em debandada, deixando tudo para trás (II Reis 7:7,8). O livramento do Senhor havia chegado de forma inesperada e com tal abundância que o próprio Rei ao tomar conhecimento do sucedido não queria acreditar (II Reis 7:12), suspeitando que seria uma estratégia do inimigo para poder entrar na cidade. Por vezes é-nos difícil acreditar nos actos soberanos de Deus, que actua quando, como e usando quem Ele muito bem entende para intervir em nosso favor. Ele surpreende-nos mesmo nos momentos mais difíceis, quando parece que estamos entre a espada e a parede. Pode ler esta história no II livro de Reis, nos capítulos 6:24-7:20.
Imagine ainda que é um crente proprietário de uma pequena mercearia e que apesar disso a despensa da sua casa está vazia. Não pode simplesmente pegar nos alimentos que estão nas prateleiras e levá-los dali porque não estão pagos. Precisa primeiro de os vender aos clientes, pagar aos fornecedores e só depois pensar na sua família, que entretanto precisa de se alimentar. Então, num qualquer dia da semana, um cliente habitual da loja entra e começa a fazer um grande avio de compras, algo estranho pois trata-se de um casal já com alguma idade, sem filhos a cargo. O balcão começa a ficar cheio de toda a sorte de alimentos até que lhe é pedida a conta. Depois de efectuado o pagamento dirige-se ao cliente e pergunta-lhe se é para levar a mercadoria a sua casa, ao que ele responde: “Não, se não se importa, estas compras são para levar para a sua despensa.” Um misto de estupefacção e alegria apodera-se de si, nem quer acreditar naquilo que está a presenciar. Certamente orou, pediu que o Senhor suprisse as necessidades da família, mas não fazia a mínima ideia daquilo que pudesse acontecer. Então, eis que Deus o surpreende usando um irmão na fé, alguém sensível à direcção do Espírito, alguém que compreende que Deus o tem abençoado para que possa ser de bênção para os outros.
É verdade. Jeová Jireh, o Deus que vê e provê às nossas necessidades, surpreendeu-nos naquele dia enchendo a nossa despensa. Esta história foi vivida pela minha família há muitos anos atrás.
Quem sabe se um dia destes Deus lhe vai trazer a surpresa da sua vida. Pode ser aquela viagem que há muito deseja, uma proposta de emprego, uma chamada para o ministério, um novo desafio. Seja o que for, fique na expectativa daquilo que Deus tem para si!
Em conclusão diria que: 1) Deus tem prazer em surpreender os justos (São Lucas 1:5-13). 2) Quando os surpreende fá-lo de forma inimaginável. 3) Surpreende-os mesmo na velhice. 4) Pode surpreendê-los de forma natural ou mesmo sobrenatural.
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Abel Tomé, é graduado em Teologia e Educação Cristã pelo Instituto Bíblico de Portugal, Fanhões. Foi Missionário em Macau e em Moçambique durante 9 anos. Actualmente dirige a PubliÁfrica, um ministério de apoio às igrejas nos PALOP, sendo ainda o editor da revista Mulher Criativa.
Reflexão é-lhe oferecida pela ABLA, Associação de Beneficência Luso Alemã, Carcavelos, uma instituição fundada no ano de 1984 e filiada na Aliança Evangélica Portuguesa.
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