A celebração dos 25 anos da ABLA no passado dia 19 de Fevereiro, momento de grande regozijo presenciado por aproximadamente 200 convidados, trouxe à minha mente um outro evento ocorrido no tempo do profeta Samuel, do qual haveria de sair a conhecida expressão “Ebenezer”. Trata-se de um vocábulo bíblico de grande significado histórico, que quer dizer “Até aqui nos ajudou o Senhor” (I Samuel 7:12).
De modo a compreender porque é que Samuel tomou uma pedra e a colocou entre Mizpá e Sem, temos que observar o que aconteceu ali. Cerca de 20 anos antes, Israel havia sofrido uma pesada derrota às mãos dos filisteus, perdendo nessa ocasião a arca do Senhor – símbolo da presença de Deus no meio do Seu povo. A arca era o receptáculo das placas que assinalavam o concerto que Deus havia estabelecido com Israel, onde prometia ser o Seu povo.
Os filisteus por sua vez, cedo perceberam quão desconfortável era possuir indevidamente a arca, qual “batata quente” que tinham nas mãos e que os levou a tomarem a decisão de a devolver a Israel num curto prazo de tempo. Na verdade, não se pode estar na presença de Deus de qualquer modo, especialmente se tivermos outros deuses a reinar na nossa vida. Embora os israelitas soubessem que a arca havia sido devolvida, ainda assim permaneceram na sua obstinação, recusando humilhar-se e ir até ao lugar onde ela se encontrava. Durante esse tempo, longe da presença de Deus, serviram a outros deuses.
Vinte anos longe da arca é demasiado tempo. Samuel fala ao povo e exorta-os a voltarem para o Senhor (v.3), mas estes apesar de se lamentarem não arrepiavam caminho. Este era um jogo que não funcionava com o Senhor. Faz lembrar aquelas pessoas que se lamentam constantemente, mas que teimosamente permanecem no pecado. O versículo 4 diz-nos que o povo finalmente respondeu positivamente, sendo convidado por Samuel a vir a Mizpá onde se arrependeram (7:5). Então acontece algo! Os filisteus voltam (v.7) e o povo teme o pior. Desta vez, porém, o Senhor tinha preparado para eles uma grande vitória.
Deste episódio ressaltam três importantes lições: O Deus que se manifestou naquele lugar é O que dá a vitória, que manifesta bondade, que está pronto a ajudar. Em Ebenezer celebramos a vitória que obtemos em Cristo. A nossa luta é com um inimigo derrotado à partida. Em Ebenezer constatamos que as “misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”. Elas são também “novas a cada manhã” (Lamentações 3:22-23). Em Ebenezer podemos olhar para o Senhor como ajudador. Com os nossos olhos postos Nele encaramos o futuro com confiança e segurança.
O que significa para si Ebenezer? Faça uma pausa agora mesmo e reflicta sobre tudo aquilo que o Senhor tem feito por si, pela sua família, pela sua congregação. Pense na Sua força, no Seu poder, no Seu amor em si. Quais são as lembranças que lhe ocorrem? Reconhece-O nas lutas, nas dificuldades, nos tempos difíceis, como alguém que caminha ao seu lado?
Quando pensa na expressão “Ebenezer”, esta suscita-lhe vigor, ousadia, um grande gozo? Já parou hoje para dizer “Até aqui me ajudou o Senhor”? Se não, então faça-o agora mesmo.
Vamos celebrar a vida, com a satisfação de saber que Deus está connosco e é verdadeiramente Fiel.
Abel Tomé, é graduado em Teologia e Educação Cristã pelo Instituto Bíblico de Portugal, Fanhões. Foi Missionário em Macau e em Moçambique durante 9 anos. Actualmente dirige a PubliÁfrica, um ministério de apoio às igrejas nos PALOP, sendo ainda o editor da revista Mulher Criativa.
Reflexão, é-lhe oferecida pela ABLA, Associação de Beneficência Luso Alemã, Carcavelos, uma instituição fundada no ano de 1984 e filiada na Aliança Evangélica Portuguesa.
Direcção Nacional de Missões © 2018 | Workmove