Gosto de pensar no estudo da Palavra de Deus como uma procura de novas descobertas, um tesouro para encontrar, um poço a escavar em terra sedenta, um guia infalível para nos conduzir, um alimento saudável para nos nutrir adequadamente. De facto, a Bíblia é tudo isto e muito mais, um recurso inesgotável que está à espera de alguém que o encontre e dele possa desfrutar.
Porque tão poucos estudam a Bíblia
Têm-se apontado as mais variadas razões para encontrar uma resposta ao número tão reduzido de crentes que estudam a Bíblia regularmente. Eu creio que existem alguns mitos que é necessário desfazer. Tem-se dito, por exemplo, que a Bíblia é um livro incompreensível, que escapa ao comum dos cristãos. Não creio ser verdade, pois duvido que Deus que escolheu a Sua Palavra como meio privilegiado de falar connosco, não a tivesse tornado acessível. É verdade que há questões difíceis de entender, mas será que essas mesmas questões são essenciais à vida e à piedade? Será que o conselho de Deus para o homem não é suficientemente inteligível? Será que as directrizes de Deus para uma vivência cristã perante Deus e os homens não é clara? Deus deseja que compreendamos a Sua Palavra, o Seu propósito é torná-la clara para nós. Um outro mito que perdura, é que o estudo da Bíblia só está ao alcance de teólogos, mestres, professores e estudantes da Bíblia, mas isso também não é verdade. Quando Paulo chegou a Bereia juntamente com Silas, ali foi ao templo e encontrou um grupo de pessoas vivamente interessadas no estudo das Escrituras do Velho Testamento. De facto, eles procuravam diariamente conferir os ensinos de Paulo com as Escrituras para ver se era verdade o que dizia (Actos 17:10,11). Precisamos de imitar estes “nobres de Bereia” que fielmente estudavam a Palavra de Deus, examinando o que ouviam. Um terceiro mito é que o estudo da Bíblia pode tornar-se dispendioso, pois permanece a ideia de que é necessário ter outros livros de apoio.
É verdade que as ajudas podem ser úteis, mas jamais serão proveitosas se não buscarmos a orientação do Espírito de Deus, antes de tudo o mais. Também não é menos verdade que muito se pode descobrir cavando só com a Bíblia. A questão é saber como. Finalmente, um outro mito que importa desmistificar é que a Bíblia é um livro maçudo, incipiente. Pelo contrário, contém as mais belas histórias, os desafios mais aliciantes à nossa fé, os mais extraordinários exemplos de vida a imitar, grandes demonstrações de amor altruísta, as grandes obras de Deus, particularmente a criação e a redenção, entre muitos outros. Não será isto suficiente para nos empolgar?
Como abordar o estudo da Bíblia
A nossa atitude perante a palavra de Deus vai ser determinante nos resultados que desejamos obter. Comece por compreender a diferença entre ler e estudar a Bíblia, sendo que o estudo requer mais tempo, é mais profundo. É como procurar metais preciosos no subsolo, tem que se escavar mais. Aproxime-se da Bíblia numa atitude de gratidão por poder aprender como estudá-la, quando muitos outros desejariam fazê-lo e não sabem como. Faça-o em oração, pois é preciso uma orientação espiritual para uma compreensão adequada (Salmo 119:18). Respeite-a, pois está perante a palavra do próprio Deus fiel e verdadeira (Salmo 119:124-128), sendo cuidadoso na forma como a maneja (II Timóteo 2:15). Estude-a de forma afectuosa, afinal ela é a carta de amor de Deus para nós (Salmo 119:11). Dependa dela, do mesmo modo que os israelitas necessitavam de colher o maná a fim de abastecer a sua casa de alimento, nós precisamos de nos nutrir do alimento espiritual (Mateus 4:4). Deseje-a intensamente, como pão para a boca, ou como diz Pedro: “Desejai o puro leite espiritual…” (I Pedro 2:2-3). O desejo ardente mantém-nos na busca incessante. Sob a direcção do Espírito, pois só Ele conhece as coisas de Deus…”, que ao homem parecem loucura (I Coríntios 2:10,11, 14,16). Em humildade, pois é aos humildes que a graça de Deus é concedida (Actos 8:31). Com o propósito de experimentar transformação nas nossas vidas, e não possuir somente mais conhecimento.
Descobrir o que a Bíblia diz
Depois de lermos o texto bíblico que nos propomos estudar, é necessário meditar nele e no que tem para nos dizer, bem como perguntarmos a nós próprios o que é que Deus nos procura falar naquele momento (Salmo 1:2). É importante parar para pensar sobre o que estamos a ler. Algumas questões são de grande ajuda para compreendermos o que diz o texto, a saber:
Sugestões
- Se possível, adquira uma Bíblia com referências na margem, pois trazem luz sobre o
texto.
- Estude a Bíblia regularmente, não de forma esporádica, encontrando o seu próprio
tempo e local para o fazer.
- Estude-a de forma sistemática, pois toda ela é importante e não somente umas quantas
porções seleccionadas.
- Decida o que vai estudar. Um assunto, um personagem bíblico, um período da
história? O que é mais importante para si neste momento?
- Seja diligente, pois a “diligência é o bem precioso do homem” (Provérbios 12:27). A
ideia aqui é que não tiramos proveito da Palavra se não a estudarmos e aplicarmos à
nossa vida.
- Tenha junto de si um bloco de notas onde possa escrever os pensamento que lhe
ocorrem à medida que vai meditando.
- Leia o Salmo 1 versículo 2-3 e descubra o benefício que há na meditação da passagem
após a sua leitura.
- Como exercício prático, leia Efésios 5:1-14 e procure aplicar os princípios atrás
enumerados.
Direcção Nacional de Missões © 2018 | Workmove