Levítico foi dado a Israel como um código de conduta para que este vivesse como nação santa e em íntima comunhão com um Deus Santo. Para nós hoje, o livro ajuda-nos a compreender aspectos importantes da aproximação a Deus em adoração e a necessidade de vivermos uma vida santa, um aspecto que o Pr. Alfredo Machado aborda neste artigo e que continua ser uma exigência de Deus para nós. Pareceu-nos, por isso, importante, publicar o referido artigo na íntegra, mesmo que isso signifique a sua apresentação em duas partes. A seguinte segue no próximo número.
As duas primeiras palavras deste artigo são extraídas do Livro de Levítico, o terceiro livro do Pentateuco escrito por Moisés.
Temos achado que não existe em toda a Bíblia, livro que melhor nos faça compreender o valor da expiação que Cristo alcançou no Calvário em Levítico. Nenhum outro livro há que mais directamente nos conduza ao Calvário.
Levítico pode assemelhar-se ao Evangelho do Novo Testamento. E, coisa estranha: são muitos os cristãos e até obreiros, que acham o conteúdo do livro bastante enfadonho e, por isso, o desprezam. É de lembrar uma jovem de certa igreja que disse a um obreiro que fora convidado para uma semana de estudos bíblicos na sua igreja e esses estudos versavam sobre Levítico: o irmão não tem outro livro de onde extrair seus estudos senão deste livro tão enfadonho?”
Parece-nos natural afirmar, que a mensagem prioritária do Apóstolo S.Paulo, e que ele tanto enfatizava, particularmente em Corinto, foi extraída maiormente de Levítico, o livro dos sacrifícios (I Cor. 2:1,2; cc.Ef. 1:7-10).
E foi este “mistério” oculto em Deus (a morte expiatória de Cristo sobre a cruz de maldição), que levou Paulo a pregar durante dois anos em Corinto.
A mensagem de Levítico em um versículo é: “Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus sou Santo” (Lv. 19:2). Sua mensagem em três palavras é: “Santidade ao Senhor”, palavras gravadas em ouro e afixadas sobre uma fita azul na mitra do Sumo-Sacerdote Aarão (Ex. 28:36). A sal mensagem em uma só palavra é: “Santidade”.
Assim, ao estudar-se o livro de Levítico, salta à vista que o propósito do livro era dirigir e ensinar o povo de Israel a viver como uma nação santa, em comunhão com um Deus Santo. Por isso o caminho “para” Deus só é possível alcançar através do sangue de Cristo (I Pd. 1:18-20). Daí a premente necessidade dos sacrifícios.
Expiação é a primeira palavra.chave de Levítico ou seja o que Deus tem feito por nós e que constitui o resumo dos dez primeiros capítulos de Levítico. Mas o caminho “com”Deus somente pode processar-se através da “santificação”, que resulta na segunda palavra-chave de Levítico, de onde Pedro extrai a sentença não menos importante: “Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. Mas assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo” (I Pd. 1:14-16; Lv. 19:2).
Portanto resulta, depois da nossa salvação alcançada pela graça, e da expiação consumada definitivamente pela obra da crus do Calvário, que temos de “andar com Deus” em perfeita santidade, segundo se lê na segunda parte de Levítico. Por todas estas razões o livro de Levítico, tão pouco conhecido dos cristãos, nos apresenta os cinco sacrifícios, que são:
1. O holocausto, 2. manjares, 3. acção de graças ou pacífico, 4. expiação, ou sacrifício pelo pecado, 5. reparação, ou culpa assumida não só perante Deus mas igualmente perante o próximo.
Um só destes sacrifícios não é suficiente para nos apresentar todo o valor absoluto da obra da cruz. É assim que o sacrifício de Cristo é apresentado como uma jóia de cinco brilhantes facetas, como os evangelhos do Novo Testamento o apresentam sobre quatro ângulos diferentes. Em cada um destes sacrifícios, porém, a “Oferta” exigida representa
e simbolicamente aponta para o Senhor Jesus Cristo, vítima inocente, que se oferece a Deus por nós. Todavia, e apesar de todo o simbolismo e verdade que tais sacrifícios nos ensinam, resta-nos ainda considerar o “sacrifício da expiação anual”, que é, sem dúvida alguma, a cúpula de todo o ritual de Levítico.
A palavra “expiar” vem da palavra hebraica “kaphar”, que significa “cobrir”. E toda a Bíblia demonstra que apenas o sangue de uma vítima inocente pode servir de “cobertura” ao pecado do culpado e o expiar.
Expiação. Era este dia da expiação o grande dia da humilhação nacional entre os filhos de Israel. A maneira de se observar essa manifestação de dor e arrependimento acha-se descrita no capítulo 16 de Levítico. E as vítimas que eram oferecidas estão mencionadas em Números 29:7-11, enquanto que a conduta do povo em relação a este dia está esfaticamente prescrita em Levítico 13:26-32 e Nm. 29:7-11.
Esse dia, um sábado de descanso para os israelitas, era o décimo do sétimo mês, cinco dias antes da festa dos Tabernáculos.
Era apenas no dia da “expiação anual” que o sumo –sacerdote podia entrar no Lugar Santíssimo do Tabernáculo ( mais tarde do templo), para fazer expiação pela purificação das pessoas, e também para purificar o Tabernáculo para tornar possível a presença contínua de Deus.
Neste dia da expiação, o sumo-sacerdote usava roupas especiais, menos elaboradas (v.4 cc.Ex. 28), enfatizando o seu papel de servo de Deus, privado de toda a honra natural da presença de Deus. As vestes mencionadas no capítulo 28 de Êxodo, apresentam-nos o Senhor Jesus Cristo revestido da Sua glória; as vestes de linho branco, até a mitra branca, oferece-nos a realidade da pessoa de Cristo, como servo pronto para ser oferecido e isso no Dia da Expiação Anual.
Foi levado a efeito um inquérito entre a juventude crente e descrente nos Estados Unidos, para ser achado a resposta à seguinte pergunta: “Haveria pecado em Cristo até à altura da crucificação”? Mais de 50% dos inquiridos disse que sim. Tremenda blasfêmia, que contradiz a afirmação da Palavra de Deus, que exigia que nenhum dos animais que fossem oferecidos no altar tivesse algum defeito. E até o Cordeiro da Páscoa no Egipto devia ser sem mancha (Êx. 12:5); e era guardado rigorosamente durante quatro dias em observação contínua para confirmar que o animal não tinha qualquer defeito (v.6; cc I Pd. 1:18, 19).
Uma significativa cerimónia era a apresentação de dois bodes à porta da tenda da congregação. A cerimónia consistia de quatro elementos essenciais: 1) a oferta da expiação para a purificação do sacerdote (v.6); 2) o lançar de sortes para determinar qual o bode a sacrificar como oferta para expiação (vv.7-8); 3) o sacrifício do bode escolhido para o Senhor (v.9); 4) e o envio do segundo bode ao deserto (v.10). Os versículos 11-22 descrevem esses elementos detalhadamente.
Com o sangue do bode morto era aspargido o propiciatório; o outro era levado ao deserto. Mas antes disso, conforme consta (pela “Mishna”), o sacerdote impunha as mãos sobre a cabeça do animal e proferia a seguinte oração: “Ó Senhor, na tua presença eu tenho cometido muitos pecados, eu e a minha casa, e os filhos de Israel, o Teu povo. Peço-te, Senhor, que nos perdoes agora os nossos pecados, aqueles que eu tenho cometido na tua presença, e não só eu, também a minha casa, o teu povo santo, que se acha escrito na Lei do teu servo Moisés, que disse: “Naquele dia haverá uma expiação para serdes purificados, a fim de que sejais limpos de todos os vossos pecados diante de Deus”.
O segundo bode enviado ao deserto era para “Azazel” – uma palavra de derivação incerta, e que tem levantado muita discussão. Mas o que importa saber, e cujo sentido é claro, é que neste acto simbólico, eram levados para o deserto os pecados do povo.
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