António Gonçalves - O Coração do Pastor (2)

Parte I

 

Introdução

Os últimos tempos segundo as Escrituras, serão tempos trabalhosos e de muita confusão em que pessoas se apresentarão como mestres no reino de Deus mas acerca dos quais o Senhor Jesus nos exorta dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. (Mt. 7:15).

Normalmente este tipo de mestres são pastores que não se preocupam em apascentar o rebanho mas sim a si próprios como nos diz Judas: “Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco sem nenhum recato; pastores que se apascentam a si mesmos. São nuvens sem água, levadas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos destes desprovidos e desarraigados, duplamente mortos.” (Jd 12).

O tempo presente de tanto materialismo, consumismo e contemporização é propício a desenvolver em nós um coração com características mercenárias tal como aconteceu com os discípulos de Jesus que manifestaram essa atitude mercenária pela boca de Pedro ao perguntar ao Senhor Jesus: “Nós deixamos tudo e te seguimos! O que então haverá para nós?”

Quando se dá hoje uma ênfase errada na doutrina da prosperidade, corre-se o risco de ficar com o espírito mercenário. Prosperidade bíblica não é o que vamos ter ou o que vamos ganhar. É por isto que é importante nos dias que correm sabermos qual é o coração do pastor segundo as Escrituras.

 

1. Jesus é o Bom Pastor

Jesus é o modelo por excelência de tudo aquilo que nós devemos ser. João 10:11,14 diz: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem.” No livro aos Hebreus diz que além Dele ser o Bom Pastor, é também o Grande Pastor: “Ora o Deus de paz que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dentre os mortos a Nosso Senhor Jesus Cristo, O Grande Pastor das ovelhas (Heb 13:20).

O apóstolo Pedro vai ainda mais longe dizendo que Ele além de ser o Bom e o Grande Pastor, é o Sumo Pastor: “E quando se manifestar o Sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa de glória.” (I Pd. 5:4). Como Bom Pastor, Jesus deu a vida pelas Sua ovelhas. Como Grande Pastor, Ele ressuscitou pelas Suas ovelhas. Como Sumo Pastor, Ele voltará para levar para Si as Suas ovelhas.

 

2. Deus deu pastores para cuidar do Seu rebanho

Por isso diz:”Subindo ao alto levou consigo o cativeiro e deu dons aos homens. E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas e outros para pastores e doutores, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos…” (Ef. 4:8, 11-16). Os pastores foram dados não para explorar o rebanho mas para cuidar do rebanho, fazendo para si desuses de ouro. Agora peço-Te, perdoa o seu pecado; ou, senão, risca-me do livro que escreveste.”

O pastor tem a seu cargo as ovelhas, as pessoas da igreja. “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós…” (I Pd. 5:2,3).

 

3. O Coração do Pastor

Todos os pastores têm a responsabilidade de operar para com a igreja, com a mesma atitude e carinho com que Jesus operou. Como pastores precisamos de ver as pessoas com os olhos de Jesus, amá-las com um amor firme e determinado. O pastor tem de desejar o melhor para a igreja independentemente dos seus desejos pessoais Moisés é um exemplo do que deve ser o coração do pastor em operação. Ele amava o povo mais do que a si mesmo: “Assim tornou Moisés ao Senhor e disse: Oh! Este povo cometeu grande pecado

 

 

O CORAÇÃO DO PASTOR

 

Parte 2

 

I. Características Fundamentais do Coração do Pastor

 

     A. O coração  do Pastor é um coração de amor ( I Cor. 13)

 

     É paciente. Benigno, não é invejoso, não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, regozija-se com a verdade, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha, nunca se desgasta, nunca fica antiquado e nunca acaba.

 

     B. O Coração do Pastor é um coração de servo

 

     Jesus tinha a atitude de um servo. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. Que sendo em forma de Deus não teve por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou tomando a forma de servo…” (Filip. 2:5-8).

     O apóstolo Paulo declarou que como pai espiritual dos Coríntios desejava SERVIR E PROVER para eles (II Cor. 12:14, 15). Escrevendo aos Tessalonicenses, Paulo compara-se a uma ama que cria os seus filhos ( ITess 2:7).

 

II. Como manter o coração de Pastor

 

     A. Guardando o nosso coração com diligência

 

     “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as saídas da vida.” (Pv. 4:2).

    Precisamos guardar o nosso coração para não ficarmos endurecidos com as lutas, as desilusões, e por vezes até com a indiferença e as traições a que estamos sujeitos. Judas traiu a Jesus, mas o coração de Jesus não se endureceu.

 

B. Meditando no amor de Deus pelos Seus filhos

“Amados, amemo-nos uns aos outros pois o amor é de Deus. Quem ama é conhecido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para convosco,; em que Deus enviou o Seu Filho unigénito ao mundo para que por meio d´Ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou nós também devemos amar uns aos outros.” (I Jo. 4:7-11).

É importante aprendermos a colocar de parte as nossas opiniões pessoais sobre as ovelhas e aprender a vê-las à luz da Palavra de Deus.

 

C. Meditando na misericórdia de Deus e andando em perdão

Como pastores precisamos manter um coração perdoador. Muitas vezes somos magoados pelo rebanho, muitas vezes somos magoados pelos nossos filhos, e sempre perdoamos porque são nossos. O rebanho também nos pertence. O exemplo do perdão na igreja começa pelo pastor, pelo seu coração perdoador.

 

D. Mantendo um coração fiel

(Mateus 24:45-47) – Estas são palavras de encorajamento de Jesus para os servos fiéis.

 

Conclusão

É nosso dever como pastores guardarmos o nosso coração de forma a sermos em tudo um exemplo para o rebanho para que naquele dia possamos ouvir as doces palavras de Jesus dizendo: “Bom está servo bom e fiel…”

 

António Gonçalves

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