Bertina Tomé - Não estamos sós

Maria e José

Maria envolveu o menino em panos e deitou-o numa manjedoura. Ela nunca imaginara que aquele seria a cama do bebé. Ninguém lhe dissera isso nem sequer fazia parte das profecias relativas ao nascimento de Jesus. É bem possível que José, sendo carpinteiro, tivesse preparado uma caminha de madeira bem polida para acolher aquele bebé tão especial. Mas Maria dera à luz à distância de 150 km da terra onde residia, Nazaré. Ali em Belém não tinha familiares ou conhecidos que lhe providenciassem melhor alojamento.

Depois de limpa a manjedoura, aquele era o melhor lugar possível. Sentir-se-ia Maria sozinha e desprotegida a viver a sua recente condição de mãe naquele estábulo? Não sabemos. Será fácil, contudo, imaginar como qualquer uma de nós se sentiria em circunstâncias semelhantes.

De repente surgem uns homens à entrada do estábulo. São desconhecidos e têm ar de pastores. Vêm alegrar-se com o casal, ver o menino e celebrar a Deus pela Sua dádiva ao mundo. Mas como souberam eles do nascimento? Podemos imaginar o entusiasmo com que contam da mensagem do anjo e aquela multidão dos exércitos celestiais, naquela noite inesquecível.

Maria e José ouvem a história encantados e alegram-se por aquela companhia tão acolhedora e inesperada. Surpreendida, Maria guarda em si "todas estas coisas, conferindo-as em seu coração." (Lucas 2:19).

Mas eles não sabem que há mais. Do Oriente vêm em viagem uns magos que, conduzidos por uma estrela, procuram o que é nascido rei dos judeus. Chegados lá, prostram-se e adoram-n'O.  Trazem ofertas: ouro, incenso e mirra. Gentes de longe que Maria e José não conhecem nem voltarão a ver, muito provavelmente.

Durante aquela visita tão agradável, Maria e José não sabem que, mais tarde, terão de fazer uma viagem apressada: irão para o Egipto, por indicação de Deus! Como será por lá? Não há que temer. Eles já entenderam que, para onde quer que forem nunca estarão sós, Deus providenciar-lhes-á pessoas e recursos.  

Jó vivia um tempo muito difícil. Ele, que era o homem mais rico do Oriente, vê-se em processo de luto pelos seus filhos que faleceram e fica também desprovido de todos os bens que possuía. Na mão resta um pedaço de telha com que raspa as feridas que lhe cobrem todo o corpo, numa chaga maligna que teima em não sarar. A esposa mostra-se uma mulher amarga, incapaz de o encorajar. É visitado por três amigos que acabam por servir só para o inquietar. Ele vive uma solidão tão grande!

Não sabemos quanto tempo terá durado esta tribulação. Um dia Deus tem uma longa e esclarecedora conversa com Jó. Ele, escuta, em silêncio tudo o que Deus tem a declarar-Lhe, na Sua grandeza e majestade. Jó ora pelos seus amigos.

Ele não sabe, mas há uma multidão preparada por Deus para o visitar e consolar. Onde estavam todas aquelas pessoas antes? Não sabemos, mas chegou o tempo de avançarem. Todos os seus irmãos e as suas irmãs vão a casa dele. E há mais: toda a gente que o conhecia vai visitá-lo também. Quantos serão o que o conhecem? Dezenas, centenas ou mesmo milhares de pessoas por certo, atendendo a que ele era o homem mais importante do Oriente.  

Para além da solicitude de toda esta gente, há um apoio económico notável: cada visitante oferece-lhe uma quantia em dinheiro e uma peça de ouro. E Jó virá a ter uma abundância duas vezes maior que a inicial.  

Geazi

Quando Geazi viu os carros, os cavalos e o grande exército da Síria que cercavam a cidade ficou aterrorizado. "Ai meu Senhor, que faremos?" (II Reis 6:16), grita ele para o profeta Eliseu. Não existe estratégia de guerra que lhes permita vencer todo aquele poder bélico. Sente que estão sós, indefesos, irremediavelmente perdidos.

Eliseu responde-lhe: "Não temas; porque mais são os que estão connosco do que os que estão com eles." (II Reis 6:16). O profeta fala-lhe de uma outra multidão que o rapaz não consegue alcançar com o seu olhar. Quem serão os que "estão connosco"? Finalmente ele vê carros e cavalos de fogo ali preparados para os defender, de um modo sobrenatural.   

E nós?

Certa vez, um salmista escreveu: “Sou como uma ave selvagem no deserto; sou como um mocho em ruínas abandonadas. Não consigo dormir e sinto-me só, como um pássaro em cima de um telhado.”(Salmo 102:7,8). Será que já alguma vez sentimos o mesmo? De facto, podem acontecer circunstâncias semelhantes na nossa vida, isto é, sentirmo-nos sós porque nos deparamos com dificuldades inesperadas numa terra que não é a nossa, como Maria, ou vivemos um tempo de doença prolongada, de adversidade financeira ou empobrecimento/desgaste da relação familiar, como Jó. Pode suceder ainda que enfrentemos um inimigo maior do que nós, perante o qual nos sentimos desprovidos de meios de defesa, como sucedeu com Geazi. Contudo, não estamos sós. Conhecer a Deus representa ter um apoio garantido, no tempo certo. Enquanto esperamos, não desanimemos - "Não vos deixarei órfãos. Voltarei para vós.", assegurou Jesus aos Seus discípulos (João 14:18). N'Ele depositemos a nossa confiança!

“Mas pode uma mãe esquecer o seu bebé, deixar de ter amor ao filho que ela gerou? Ainda que ela se esquecesse dele eu nunca te esqueceria. Pois eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos; as tuas muralhas estão sempre diante dos meus olhos.” Isaías 49:15,16

Direcção Nacional de Missões © 2018 | Workmove