Bertina Tomé - Viver com Alvos

O que é um alvo?

Pode-se chamar-lhe objectivo, meta ou “qualquer coisa onde se deseja acertar”. E um componente muito importante no nosso percurso vivencial que o afirma, organiza, dinamiza, enriquece e lhe dá direcção. Há também quem diga que um alvo pode ser “um sonho com pernas”. Isso significa que antes do alvo vem o sonho: um desejo intenso, um anseio realizar alguma coisa que se considera de valor. A partir daí define-se uma estratégia de alcançar o sonho, de o operacionalizar, o que se traduz em alvos específicos que irão pôr o sonho em movimento, evitando também a dispersão e o desperdício de tempo, energias e recursos. No seu percurso terreno Jesus tinha alvos que expressou claramente, em diversas ocasiões: “O

Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor” (5. Lucas 4:18,1). “Eu vim para que tenham vida, e atenham com abundância.” (S. João 10:10). S. Paulo tinha igualmente alvos diante de si. “...mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus” (Filipenses 3:13,14).

 

É possível viver sem alvos?

Sim, é possível. Pode se respirar, comer, beber e andar por aí. Deixar passar os dias sem que haja alvos que lhe dêem sabor. Trata-se apenas de assegurar a sobrevivência, naquilo que sobreviver possa significar, e que às vezes poderá ser muito pouco. Como alguém disse, o que é triste é morrer aos vinte anos e ir a sepultar aos oitenta. Entretanto andou-se por ai... embalsamado, congelado, fossilizado, mumificado, sem vida no sentido afectivo ou espiritual. A Bíblia lembra-nos que há pessoas sem alvos., O Salmo 1:4, por exemplo, refere-se a indivíduos que são como a moinha (pó ou fragmentos resultantes da debulha separar os grãos da casca dos cereais) que o vento espalha. S. Judas fala-nos de vidas que são como “nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte: são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarreigadas”(S. Judas 12). Não há conteúdos, nem objectivos, nem sentido de utilidade. Esse não é o objectivo de Deus para nós. Ele deseja muito mais. Disse Jesus: “Nisto é glorificado meus Pai, que deis muito fruto (S. João 15:8).

 

Como se constrói um alvo?

Não basta definir um ou mais alvos. Há que construí-los sabiamente. Certa vez Jesus contou a história de um homem que tinha um sonho: gozar uma vida descansada, com abundância económica e muito prazer. Então ele definiu o seu alvo: “Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens”(S. Lucas

12:18). O problema foi que este alvo estava desfasado do tempo de Deus e, por isso, não fazia qualquer sentido. O tempo e o propósito de Deus é aquilo que dá sentido aos nossos alvos, é o seu fundamento. “Para todo o propósito há um tempo e há um modo”(Eclesiastes 8:6). O cumprimento de um propósito, ou de um alvo, não acontece por acaso, nem é fruto de um lançar de dados ou de uma rifa. Tem um tempo definido e um modo próprio de se fazer. E por isso muito importante reflectir sobre o propósito de Deus para o qual existe tempo e modo específicos. Como conhecê-los? A resposta encontra-se no mesmo capítulo: “O coração do sábio discernirá o tempo e o modo” (Eclesiastes 8:5). E preciso ser sábio para o fazer. Como ser sábio? E preciso pedir sabedoria a Deus (S. Tiago 1:5). E a comunhão com Deus que nos amplia a visão e nos esclarece quando se trata de estruturar um alvo, dando-nos uma percepção clara do tempo e do modo de o ver cumprido.

“… a paciência não parece definir-se pela espera passiva, que deixa simplesmente que as coisas aconteçam ou que sejam os outros a tomar as decisões por si. Nada deve ser confundido com a inércia de quem, sentado no seu canto, observa o fluir dos dias, todos mais ou menos iguais...”

 

 

Como se discerne o tempo?

Qual será o tempo certo para alcançar o alvo? Gostaríamos que não demorasse muito... afinal trata-se de um anseio nosso. Será preciso aguardar pelo momento exacto? Paciência... é um conceito pouco agradável de ouvir. Habitualmente não gostamos que nos recomendem. E possível encará-las como um conformismo, um resignar, um cruzar os braços e esperar, algo enfadonho, o tédio. Mas será apenas isso? Antes de mais, encontramo-la no texto bíblico como um elemento indispensável do equipamento do cristão: “Sede pois irmãos pacientes até à vinda do Senhor... Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações... Ouvistes qual foi a paciência de Jó. Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor...” (S. Tiago 5:7-11). “Esperei com paciência em Deus” (Salmo 40:1). Assim, a paciência não parece definir-se pela espera passiva, que deixa simplesmente que as coisas aconteçam ou que sejam os outros a tomar as decisões por si. A paciência está  subjacente um sentido de tempo que é fascinante conhecer. E, nesse campo, ela constitui um veículo para chegarmos a momentos preciosos de realização pessoal. Ter paciência significa saber esperar pelo tempo, Que tempo?

 

Três Tempos

Por estranho que pareça, quando pronunciamos a palavra tempo podemos estar a referir-nos a três domínios diferentes.

Convém lembrá-los aqui: Tempo Atmosférico: Refere-se a condições de temperatura, humidade e pressão do ar. A isso nos referimos quando, por exemplo, dizemos: “Hoje está bom tempo”. Tempo Cronológico: E definido pelos ponteiros do relógio e lembrado e visualmente organizado em calendários e agendas. Poderá situar-se o seu início na criação, quando surgiram os grandes luminares “...para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos” (Génesis: 14). Tempo de Deus: E anterior aos outros dois e predomina sobre eles. E um tempo “grávido” de propósito de Deus, interiormente muito rico que uma vez cumprido dá à luz os Seus eventos, independentemente da estação do ano, do dia da semana ou do mês. Deus, simplesmente pelo Seu poder e péla Sua soberania, faz acontecer. Ele disse: “Haja luz” e houve luz. E a isso que se refere o texto bíblico quando fala da “plenitude dos tempos” (Gálatas 4:4).

 

O Tempo de Deus

Os propósitos de Deus para a nossa vida não se cumprem como fruto do acaso ou de uma coincidência feliz, como já referimos. São organizados por Ele em torno de um tempo e de um modo. Que horas são? Em que dia da semana estou? E fácil encontrar a resposta. Mas... que tempo estou a viver hoje no calendário de Deus? Qual o sentido e o propósito do dia de hoje, e o de amanhã, no tempo de Deus? Ao ler o texto bíblico reparamos que nem sempre as pessoas discerniram o tempo de Deus. Por outras palavras, Ele fazia acontecer o milagre mas elas não experimentavam a graça nem a glória do momento porque nem o tinham entendido, presas e comandadas por outros conceitos de tempo. Houve alturas em que Ele nem fez acontecer o que desejava porque ninguém O estava a ouvir. Daí o Seu lamento: “Ah se o meu povo me tivesse ouvido... “ (Salmo 81:13). Havia pessoas que não compreendiam as curas ao sábado, por exemplo, porque numa perspectiva meramente cronológica aquele não era o dia certo. Nos dias do profeta Ageu encontramos um povo diligente e que amava o Senhor. Ocupados a construir as suas casas, depois da destruição de Jerusalém, aqueles homens tinham como alvo vir a construir uma casa para Deus. Dentro de si havia verdadeiramente a intenção de o fazer, mas ficaria para mais tarde. “Não veio ainda o tempo”, diziam (Ageul :2). Deus esclareceu-os explicando que o tempo era agora. No seu percurso terreno, também Jesus chamou algumas vezes a atenção para a percepção do tempo (S.Lucas 12:56; João 4:35). Não se trata de uma questão banal ou mesmo de importância relativa. Observar que alguém passa por sofrimentos desnecessários e não chega a ver concretizados o s planos de Deus na sua vida por não conhecer o sentido do Seu amor expresso em tempos especiais entristece-O realmente! Talvez a expressão mais dramática disso mesmo tenha acontecido quando Jesus, chorando, falou à cidade de Jerusalém e concluiu “... pois não entendeste o tempo da tua visitação”(S.Lucas 19:44). Mas houve pessoas que entenderam o tempo de Deus! Um dos exemplos mais impressionantes é o do malfeitor que, pendurado numa cruz, ao lado de Jesus, Lhe pede que se lembre de si quando entrar no seu Reino (S.Lucas 23:42,43). Ele compreende que aquele rosto, apesar de ensanguentado e desfigurado, é o de um rei. Por isso possui um reino onde ele desejaria poder viver. E pede- Lhe uma oportunidade. Jesus garante-Lhe, de imediato, o acesso ao paraíso. O homem percebeu que aqueles eram minutos preciosos, a possibilidade que Deus lhe dava para ser feliz, o tempo de Deus para ele. E agarrou-o. Naquele dia em Jerusalém as pessoas comentavam que ele tinha morrido. Como estavam enganadas! Naquele dia ele começara, finalmente, a viver! Entender o tempo de Deus não significa que Ele vai passar para as nossas mãos o Seu calendário. “E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o pai estabeleceu pelo Seu próprio poder... “(Actos 1:7). Representa, antes, sensibilidade para reconhecer o tempo que, pessoalmente, estamos a viver e respondermos com entusiasmo seguindo-O, parando, avançando ou mudando de direcção ao som da Sua voz. Ter paciência em Deus significa que compreendemos que existe o Seu tempo, kairos, um tempo pleno e fértil, ansioso por dar à luz na “estação própria” (Salmol:3), pelo qual vale a pena esperar, mesmo em fases da vida que, temporariamente, pareçam mais áridas. As Suas mãos fazem acontecer, modelando os dias, as circunstâncias e os obstáculos. Elas abrem portas, fecham portas e criam oportunidades inesperadas. E nada é mais delicioso do que saborear os momentos que Ele nos oferece, finalmente, impregnados do seu aroma. Esses são, verdadeiramente, momentos preciosos.

 

Como se discerne o modo.?.

Muitas vezes sue e não sabemos como chegar ao alvo. Por onde começar? Quem contactar? Que direcção tomar? Que recursos procurar? Pode acontecer que a nossa melhor resposta seja “Não sei”. Temos um Deus Todo-Poderoso e Criador. Os seus recursos e estratégias são inúmeros, incontáveis. Por muito difícil que seja para nos imaginar, não deixa de ser um facto: Deus é também omnisciente. Sabe tudo, conhece todos os pormenores, mesmo os detalhes mais pequenos ou subtis. Connosco não é assim. Existe uma imensidão de coisas que não sabemos Por mais que nos interessemos, sejamos curiosos, desejemos apetrechar-nos de conhecimento... fica tanto por saber. E, depois, há ainda aquelas coisas que julgamos saber mas, de facto, não sabemos. Ao longo da vida construímos convicções várias que se foram lapidando, consolidando ou desmoronando para dará lugar a outras. Assim, todos temos uma certa noção de conhecimento próprio, uma perspectiva do mundo e do real, onde reside a ideia daquilo que julgamos saber. Depois existem aquelas áreas em que temos mergulhado mais demoradamente e nos sentimos a navegar com alguma segurança, dispostos ao debate com outros, por acharmos que “estamos por dentro”. Ao longo do percurso escolar todos nos recordamos que a expressão”não sei” se tornava habitualmente muito embaraçosa. Era quase como se o bom aluno nunca o devesse dizer. Parecia traduzir fracasso, ignorância e mesmo humilhação. Todos tínhamos que, ou pelo menos deveríamos saber as “Lições do Tonecas” ou o exame de fim de curso de medicina de Vasco Santana são caricaturas conhecidas dessa condição temos que saber tudo para ser aprovados. Por vezes temo que ainda enfermemos dessa moléstia: a intenção de chegar ao ponto de dificilmente precisar de dizer não sei. O que e que nos fará (ou supostamente já fez…) lá chegar? Uma longa experiência de vida, um curso superior, maiores hábitos de leitura? A verdade é que acharmos que sabemos tudo, ou quase tudo, para além de nos limitar acaba por nos trazer muito desapontamento, e mesmo sofrimento. Porquê? Porque muitas vezes esse “tudo” não chega para resolver os nossos problemas. Perante uma situação difícil para a qual não encontramos saída é por que ela não existe, porque se houvesse uma saída nós saberíamos e já a teríamos visto.., teria de estar presente na nossa bagagem intelectual... Não, não sabemos tudo. A mão direita de Deus há delícias perpetuamente (Salmo 16:11), cujo aroma e sabor ainda não conhecemos na totalidade. Os recursos e os desígnios de Deus são imensuráveis, insondáveis. Para uma situação em que só vemos uma ou duas saídas possíveis, Deus tem duas ou três mil possibilidades diferentes. Os Seus caminhos e pensamentos são muito mais elevados que os nossos. No essencial, foi isto que Deus teve que fazer entender a Job. Com doçura e firmeza Deus foi-lhe colocando questões após questões para as quais Job, apesar de temente e fiel a Deus, só teria uma resposta: “Não sei”. Deus fez-lhe lembrar a sua ignorância, nada mais (Job3 8-42). O que será que nos falta saber? Serão pormenores, minúcias? Serão princípios ou verdades de vulto? O que quererá Deus desvendar diante dos nossos olhos? “Clama a Mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jeremias 33:3) Como Jó temos que reconhecer a nossa ignorância, sempre presente por muito que procuremos estar a par “de tudo”, por maior que seja a nossa avidez por conhecer. “Não sei” pode ser a porta a abrir na nossa vida para que Deus manifeste a Sua graça multiforme. Sejam quais forem as circunstâncias Deus é sempre capaz de nos surpreender trazendo-nos algo muito bom que... só Ele sabe.

 

O que Deus sabe

David estava a viver um dia muito difícil, talvez um dos piores da sua vida. Com poucos recursos humanos e logísticos, precisava de defender-se e escapar de um inimigo poderoso. Saul, o rei, queria matá-lo e estava disposto a fazer tudo o que fosse preciso para alcançar esse objectivo. David encontrava-se numa gruta, escondido. Uns dias antes passara por uma aflição imensa que o obrigara a uma estratégia ridícula para escapar das mãos do rei de Gate. E que fugira para essa cidade, fora reconhecido por criados, que o conduziram à presença do rei e só fingindo ser uma pessoa mentalmente perturbada conseguira escapar, levando-os a crer que se tratara de um engano. Agora, naquela gruta, estava acompanhado pela família, que viera ter com ele. Entretanto, outros homens que se encontravam “em maus lençóis”, uns endividados e outros deprimidos, juntaram-se a ele num grupo que se ampliou até serem quatrocentos homens. Rapidamente se organizaram e David ficou como seu chefe. O que fazer de seguida? Um perigo grande e iminente, falta de recursos, apenas o apoio da família e de homens que pareciam mais necessitados de ajuda do que capazes de ajudar... Era preciso tomar uma decisão, mas qual? Sem saber o que fazer de seguida, David foi falar com o rei dos moabitas, pediu-lhe que cuidasse dos seus pais até que... “até que saiba o que Deus há-de fazer de mim” 1 (Samuel 22.3.). Muitas vezes vivemos tempos de indecisão em que sentimos a necessidade de definir o caminho a tom ar face à encruzilhada que temos diante de nós. Tal como David, pode suceder que os recursos escasseiem e os riscos ou os medos sejam consideráveis. Pegando nas suas sábias palavras, em vez de nos preocuparmos em saber o que deveremos fazer melhor será procurar saber o que irá Deus fazer de nós. Poderá ser necessário esperar um pouco mas não se tratará de tempo perdido pois Ele “trabalha para aquele que n’Ele espera”. (Isaías 64:4). E não há nada mais sublime do que a presença de Deus conduzir os nossos j É natural que cada um de nós esteja já envolvido em diversas actividades, desde as da rotina doméstica até às da nossa igreja. Pode suceder que estejamos até a viver dias de envolvimento intenso a cuidar dos filhos, numa vida profissional muito absorvente ou no apoio regular a outros familiares em necessidade. Contudo, é possível que alguns se sintam a viver tempos de indefinição a precisar de algo novo que os dinamize de uma forma diferente. e assim for,  pode ter chegado o tempo de construir um projecto pessoal em direcção a um alvo. Será mesmo isso.., pessoal. Tal não significará necessariamente um plano individual, pois pode constituir até a integração ou o trabalho em grupo, mas terá de estar ligado a interesses a anseios próprios. Mas... o quê? Como? Por onde começar?

 

Sugestões:

Identificar áreas de interesse Não desejamos nem conseguimos ser tudo. Existem áreas de formação e de actividade específicas que nos motivam como mais nenhumas. E nós sabemos disso. Contudo, as exigências e as pressões do dia-a-dia poderão ter-nos empurrado “definitivamente” para desempenhos que não se aproximam, decerto, dos nossos sonhos. Se é importante haver flexibilidade em nós para “agarrar” essas tarefas e oportunidades, mesmo que menos apetecíveis, é também indispensável que este facto não ofusque ou dissipe os nossos reais interesses e anseios fazendo-nos esquecer aquilo que, de facto, nos apaixona. Nesse caso, um teste de interesses vocacionais ou uma conversa com alguém que nos conheça bem poderão ajudar-nos a situar as nossas áreas de interesse. Depois será tempo de perguntarmos a nós próprios: Como poderei crescer nelas? Que bênção resultará daí para a vida de outros? De que modo glorificará o nome de Deus? E nessas respostas que deve assentar a construção de projectos pessoais.

 

Agarrar o sonho de Deus

Deus dá o querer, a vontade. E dá o efectuar. Deixemos que Deus coloque um sonho, uma paixão em nós. (Filipenses2: 13). Há alguns talentos que gostaríamos de desenvolver? Algo novo que gostaríamos de fazer? Resultados que gostaríamos de alcançar? Algum peso que Deus tem posto em nós? Aos 80 anos, recordando o passado, sobre o que é que gostaríamos de poder vir a dizer: “Eu fiz!”? Delimitemos o nosso sonho sem receio.

 

Alimentar áreas de interesse

Vivemos dias de informação mais acessível do que nunca. Vamos procurar conhecer melhor aquilo que nos prende a atenção, que decora os nossos sonhos. Ler livros sobre o assunto e consultar a Internet poderão ser dois meios muito úteis. Não percamos oportunidades de prender com pessoas que já se movem à vontade em áreas do nosso interesse. Assim perceberemos o caminho, os degraus e as eventuais dificuldades do campo a que desejamos chegar.

 

Orar

É indispensável falar com Deus e ficar sensível à Sua direcção. “Mostrar-te-ei o caminho que deves seguir. Guiar-te-ei com os meus olhos.” (Salmo32:8) Nesse sentido, devemos despertar em cada dia com a tranquilidade de quem descansa nos braços do Pai mas também com a atenção de quem espera a boa dádiva das suas mãos, sabendo que “as suas misericórdias são novas a cada manhã”. (Lamentações 3:23).

 

 

Agarrar o momento

Muitas vezes aquilo que Deus nos dá tem a forma e a natureza de uma semente, de dimensão pequena mas disponível para ser cultivada, cuidada e dar muito fruto. “Ora aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça” (II Coríntios 9:10). E por isso que não devemos subvalorizar ou mesmo desperdiçar pequenas oportunidades, recursos limitados, convites inesperados ou mesmo como “segunda escolha” para desempenhar determinada tarefa. Façamo-la o melhor que soubermos, com a excelência de que formos capazes. Ele valoriza os grãos de mostarda. Porque não nós?

 

Perseverar no compromisso

 Deus sabe como é fácil sentirmo-nos desencorajados e desistirmos. Tal poderá suceder por alguma fadiga pessoal, falta de encorajamento, crítica, escassez de recursos ou obstáculos súbitos. Antes de abandonarmos o projecto, busquemos a Deus em oração e Ele nos mostrará o que deveremos fazer. Ele é capaz de renovar forças e sonhos em nós! Fiquemos sensíveis à Sua direcção pois poderá haver pormenores ou dinâmicas a alterar que não signifiquem necessariamente “baixar os braços”. Aconselhemo-nos com as pessoas que, comprometidas com Ele nos ajudem a entender a Sua vontade. É extraordinária a experiência de ver Deus abrir uma porta diante de nós! É enorme o entusiasmo e a vontade de correr por ela ao encontro dos propósitos de Deus. Contudo, não nos esqueçamos que por vezes Deus fecha algumas portas, com o mesmo amor com que abre outras. No seu anseio constante de divulgar a mensagem de Cristo, Paulo planeou “anunciar a palavra” na Ásia. No entanto a porta fechou- 

-se pois “foram impedidos pelo Espírito Santo” (Actos 16:6). Depois intentaram ir para Bitínia mas “o Espírito de Jesus não lho permitiu” (Actos 16:7). Duas portas fechadas em pouco tempo... o que pensaria o irmão ou eu em circunstâncias dessas? A verdade é que Deus continuava a ser tão fiel como sempre fora! E de seguida deu a Paulo uma visão clara e inequívoca da Sua vontade: era tempo de ele ir para a Macedónia!

Que nada nos faça parar ou desistir. Não esqueçamos o conselho de S. Paulo: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9).

 

Alvos Smart

(Traduzido e adaptado)

 

Específico (Specific)

Um alvo específico tem muito mais possibilidades de ser alcançado do que um alvo geral. Para estabelecer um alvo específico deve responder a seis questões:

Quem? Quem está envolvido

O Quê? O que é que eu quero concretizar.

Onde? Identifica o lugar.

Quando? Estabelece um prazo.

Como? Define requisitos.

Porquê? Razões específicas, propósitos ou benefícios de alcançar o alvo.

Ex.: Um alvo geral seria”Ficar em boa forma física”, mas um alvo específico seria: “Inscrever-se num ginásio e fazer exercício três vezes por semana). Para começar estabeleça alvos que possa alcançar num curto espaço de tempo, de uma semana a um mês. E fácil desistir de alvos que levem muito tempo a alcançar. Se tem um grande alvo divida-o numa sequência de alvos mais pequenos (diários ou semanais). Depois de alcançar um alvo pequeno passe para o seguinte.

 

Mensurável

Estabeleça critérios concretos que lhe permitam avaliar o seu progresso em direcção ao alvo. Ao avaliar o seu progresso mantém-se no trilho, respeita os seus prazos e experimenta a alegria de ter conseguido, que o impulsionará a continuar a esforçar-se para alcançar o seu alvo final. Para determinar se o seu alvo é mensurável pergunte a si próprio: Quanto? Como é que saberei que alcancei o alvo quando tal suceder? Um alvo não resulta em nada se não houver maneira de dizer se o adquiriu ou não. Ex: “Eu quero sentir- me melhor” não é um bom alvo porque não é específico e é difícil de medir. “Eu quero trabalhar oito horas por dia” é um alvo melhor porque é específico e mensurável.

 

Alcançável

A medida que identifica os alvos que são importantes para si comece a procurar maneiras de os tornar realidade. Desenvolva atitudes, habilidades, aptidões e capacidade financeira para os alcançar. Comece por procurar previamente oportunidades que o levem mais perto de alcançar o seu alvo. Qualquer alvo se toma mais fácil de alcançar quando planeamos os nossos passos de modo sábio e alcançável. Pergunte a si próprio se o alvo é razoável de alcançar.

Ex: Correr uma maratona poderá não ser um alvo atingível se nunca correu antes. Contudo, correr 5 km poderá ser, eventualmente alcançável.

 

Realista

Para ser realista, um alvo deve representar um objecto que deseja e é capaz de trabalhar. Assegure-se de que todo o seu alvo representa um progresso substancial. Muitas vezes um alvo elevado é mais fácil de alcançar do que um alvo fraco, porque um alvo fraco exige também uma motivação fraca. Alguns dos trabalhos que já realizaram pareceram-lhe fáceis, mas na verdade sentiu-os assim porque foram um trabalho de amor a motivação era forte. Um alvo é realista se acredita verdadeiramente que pode alcançá-lo. Outras maneiras adicionais de saber se o seu alvo é realista são determinar se alguma vez concretizou alguma coisa que se lhe assemelhe. Não planeie fazer coisas que não quer fazer. E melhor planear fazer poucas coisas e ser bem sucedido do que muitas coisas e fracassar. Sucesso alimenta sucesso! Comece em pequena escala, com alguma coisa que é capaz de fazer, experimente o entusiasmo de a alcançar e só depois disso é que deve elevar o nível de trabalho a exigir de si próprio. Estabelecer alvos de tal modo exigentes que cada minuto do dia seja necessário é irrealista; surgirão imprevistos que irão fazer falhar o horário que planeou. Dê a si próprio alguma flexibilidade.

 

Tangível

Um alvo é tangível quando é possível experienciá-lo com um dos cinco sentidos, isto é, gosto, olfacto, audição, visão e tacto. Quando um alvo é tangível ou quando se liga um alvo tangível a um intangível há mais hipóteses de o tomar específico, mensurável e, assim, alcançável. Os alvos intangíveis são aqueles que se referem a mudanças interiores que servirão para alcançar alvos mais tangíveis. São características da personalidade e padrões de comportamento que se desejam desenvolver para assim pavimentar o caminho para alcançar sucesso na carreira ou em outros alvos de longo termo. Uma vez que os alvos intangíveis são vitais para aumentar a eficiência, é necessário prestar muita atenção ao modo tangível de os avaliar. Estabeleça prazos que lhe permitam dar todos esses passos. Os alvos que pareciam distantes e fora do seu alcance poderão tornar-se mais próximos e alcançáveis não porque diminuíram ou baixaram mas porque você cresceu e expandiu de modo a conseguir chegar-lhes. Ao fazer uma lista dos seus alvos está a construir auto-imagem. Veja-se a si próprio como digno desses alvos e desenvolva os traços e a personalidade que lhe permita possuí-los.

 

Bertina Tomé

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