Em torno das festividades do Natal têm-se vindo a juntar muitos elementos e práticas que já nada têm que ver com o nascimento de Jesus e que podem vir dispersar a nossa atenção. Vamos lembrar aqui factos que fazem parte da verdadeira história.
A estrela
Naquela noite, os magos do oriente foram conduzidos por uma estrela. Como pôde ela ser o guia? Não falou, não gesticulou. Apenas brilhou e foi suficiente. Foi por brilhar que conduziu aquelas pessoas a Jesus.
Ainda hoje é assim. Se a luz de Cristo brilhar em nós poderemos conduzir pessoas a Jesus. Foi Ele mesmo que o recomendou ao dizer “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus…” (Mateus 5:14-16). Também S. Paulo fez referência ao brilho de quem conhece a Deus: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;” (Filipenses 2:15).
A cidade
O local onde Jesus iria nascer já estava definido por profecia há muitos anos. A cidade escolhida por Deus foi Belém, como anunciou Miquéias. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará Israel…” (Miquéias 5:2). E, em data que se desconhece, ali nasceu o Salvador do mundo. “E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de David, chamada Belém, (porque era da casa e da família de David), a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogénito.” Lucas 2: 4-7.
A manjedoura
Diz a Bíblia que Maria envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura (Lucas 2;7). Este local não estava previsto em nenhuma das profecias. Aconteceu pelo facto de os homens não providenciarem um lugar na estalagem ao casal e ao bebé recém-nascido. Não havia lugar para eles. E hoje? Temos lugar para Jesus nas nossas vidas? Ou, tal como o profeta Isaías lamenta, “não fizemos dele caso algum”(Isaías 53:3)? A essência do Natal é a vinda de Jesus ao mundo por amor a nós. Pode Ele habitar nas nossas vidas? Ele quer viver em nós. “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:20).
Os convidados
As primeiras pessoas convidadas para ver o Salvador do mundo, recém-nascido, o Emanuel "Deus connosco", foram os pastores e os magos. Gente de origem muito diferente, pois os pastores eram judeus e os magos eram gentios. Uns vinham de perto, das campinas de Belém. Os outros vinham de longe, do oriente. Os primeiros cuidavam de ovelhas e os segundos estudavam os astros, sendo considerados sábios.
O Evangelho é para toda a criatura, para os de perto e os de longe. “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.” (Efésios 2:13). No Salmo 84:3 está escrito que até o pardal (ave nativa) e a andorinha (que vem de longe) encontraram casa nos átrios do Senhor. “Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.” A salvação de Jesus era para Nicodemos, doutor da lei, e para a humilde samaritana. Era para o doutor Paulo e para o pescador Pedro.
Quando estive em Timor, um senhor administrador de concelho disse-me, não muito satisfeito por eu ter ido para lá como missionário, que o povo timorense era bem diferente do povo da cidade de Coimbra, de onde eu saíra, pois ali, isto há mais de 40 anos, muitos nem ler sabiam. Respondi-lhe:”O Evangelho de Jesus é para os doutores em Coimbra e para este querido povo humilde em Timor. É para “toda a criatura”, como disse Jesus.”
As ofertas
Lemos no Evangelho que os magos ofereceram ouro, incenso e mirra. É vulgar ver-se nos presépios ou em desenhos de Natal, os cordeiros, supostamente oferecidos pelos pastores. Porém, o Evangelho não o refere. É possível que as ovelhas que eles apascentavam nem lhes pertencessem. Assim, o que sabemos, de facto, é que os magos abriram os seus tesouros (Mateus 2:11) e os pastores abriram as suas bocas. “E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; e todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam.” (Lucas 2:17,18)
Percebemos também que os pastores não se encontraram com os magos. Os pastores encontraram Jesus ainda na estrebaria, na manjedoura. “E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. “(Lucas 2:15,16). Os magos já O teriam encontrado numa casa. “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mateus 2:10,11).
Casa de Pão
Belém significa “Casa de Pão”. Na verdade, ali nasceu o Pão da Vida, que desceu do céu. O próprio Jesus diria, mais tarde: “Eu sou o Pão da Vida” (João 6:48).
No livro de Rute lemos que nesses dias havia fome em Belém. Por tal motivo, uma família saiu de Belém e emigrou para os campos de Moabe. Foi para aquela família um dura experiência. Afinal, mais tarde a mãe voltou, o único elemento da família original que tinha sobrevivido, pois havia abundância de pão em Belém. Lembramos o filho pródigo: saiu da sua casa onde havia fartura de pão, e depois quase morria de fome (Lucas 15:17).
Permaneçamos na Igreja, que bem se pode chamar-se também Casa de Pão, e celebremos o verdadeiro, o autêntico Natal!
Miguel Francisco Coias
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