Jack Hayford disse o seguinte: “Os cristãos de hoje, necessitam do exemplo de Maria, por causa da vida de arrogância, de poder e da glorificação própria”. Estou de acordo com este homem de Deus. Mais ainda, acho não temos dado a devida importância à pessoa, ao exemplo, à fé e às virtudes desta mulher. Ela foi o veículo para que Deus, Espírito, Criador de todas as coisas, querendo fazer uma ponte com os homens, Sua criação, entrasse no mundo através do Seu Filho, feito homem igual a nós, mas concebido sem a semente do homem. É aqui que reside todo o grande mistério do Cristianismo e toda a beleza do plano de Deus. E é aqui que Maria joga uma parte importante no imenso plano de Deus.
Deus escolhe entre as muitas virgens de Israel uma especial, Maria. Está noiva de um homem chamado José, prometida a ele pelos seus pais, conforme a tradição do seu tempo. Este tempo de noivado, na sua cultura, era um compromisso total. Se, por alguma razão os noivos se deixavam neste período, era equivalente a um divórcio, pois no dia do noivado, tinha já ficado estabelecido entre as duas famílias tudo o que cada uma delas dava à outra por causa da união dos seus filhos. Era o espaço em que o casal tinha permissão para conversar e conhecer-se melhor, preparando-se para o dia em que a noiva seria levada para a casa do noivo e ali consumar a união.
Durante o seu noivado, Maria recebe inesperadamente uma visita angélica que lhe traz a notícia mais perturbadora: “Em teu ventre conceberás...”. Maria fica chocada: “Como pode ser isso, pois nunca me deitei com um homem?”, ao que o anjo de Deus lhe explica: “Serás coberta por um poder especial do Altíssimo, por isso a criança que nascer de ti será Filho do Deus Altíssimo, e será chamado Jesus, porque salvará o Seu povo dos seus pecados”.
Às vezes lemos, ouvimos, vimos esta história em filme e tudo parece tão irreal, tão longínquo, tão fora da realidade. Mas aconteceu. Já tenho tentado colocar-me no lugar de Maria para perceber o susto, o medo, a confusão que as palavras do anjo lhe causaram. A jovem tem, no entanto, uma atitude inteligente e ao mesmo tempo humilde: que pode ela fazer senão aceder à ordem do anjo de Deus? E aceita. Quando dizemos sim a Deus, tal como Maria, somos capazes de descobrir o caminho para Deus, um caminho que nos transcende e que nos leva a uma nova dimensão na vida.
Naquela noite, decerto que o sono custou a chegar a Maria. Dentro dela parecia ouvir ainda a voz do anjo: “o Senhor está contigo”. Tudo muito bonito, tudo muito confuso, mas sobretudo, tudo muito medonho. E agora? Se ela ficasse mesmo grávida conforme o anjo dissera? O que diria José? O que faria José? O que diriam as outras pessoas? Na sua fragilidade feminina, Maria treme, Maria chora, Maria se interroga: Quando? Em que momento isso acontecerá? O que sentirá quando isso acontecer? Maria toca no seu ventre virgem e a interrogação é cada vez maior. Como? Quando? Mas no fundo do seu espírito, ela repete o que dissera ao anjo: Aqui está a serva do Senhor, faça-se conforme a Tua palavra. Este é um dos exemplos da vida de Maria que temos que seguir, ou seja, quando Deus fala, quando ordena, quando escolhe, não pode prevalecer a nossa vontade, mas a Sua palavra.
No outro dia bem cedo, Maria pega nalgumas roupas e apressa-se a caminhar até casa de sua prima Isabel. Tinha que falar com ela, tinha que ouvir o que ela achava de tudo isto, porque Isabel não era uma mulher qualquer, era uma mulher temente a Deus, esposa de um sacerdote, uma mulher experiente. Mas Maria tinha que saber também o que se passava com Isabel, pois o anjo tinha dito que ela, velha e estéril, estava grávida de seis meses.
Quando Maria entra na casa de Isabel, esta começa a cantar e nas palavras do seu cântico Maria descobre que já está grávida: “Bendito é o fruto do teu ventre, quem sou eu para que me venha visitar a mãe do meu Senhor?”
De repente todo o medo de Maria desaparece. Todas as interrogações do seu coração se desvanecem, todo o receio pelo seu futuro empalidece diante de uma realidade muito maior e mais gloriosa: Ela vai ser mãe do Salvador dos homens! E Maria começa a cantar também. Foi realmente um grande concerto o que aconteceu entre aquelas duas mulheres grávidas por milagre!
No seu cântico, ela sente-se inspirada a dizer coisas lindíssimas, mas gostaria de sublinhar uma frase que acho que eu e tu podemos cantar, apesar de nunca ser possível experimentar o que sucedeu a Maria:
“Deus reparou em mim, olhou bem para mim e agora sou a mais afortunada de todas as mulheres.”
Esta frase de Maria tem sido cantada por milhares e milhares de mulheres e homens que têm experimentado nas suas vidas o milagre do amor de Deus. Este é outro exemplo a seguir: diante da grandeza do que Deus faz e do que Ele é, esqueçamos, como Maria, as circunstâncias, receios e dúvidas, e adoremo-Lo pela Sua graça imensa, pela Sua escolha incompreensível.
Eu continuo sem saber porque Deus escolheu Maria para ser a mãe do Salvador, ela também não o entendeu, por isso a frase “Deus olhou para mim” significa também “não sei porquê, em mim nada tenho de especial, mas Ele na Sua sabedoria e na Sua graça me escolheu”. Toda a sua vida, atitude e palavras foram de submissão à vontade de Deus, mesmo quando não a compreendia.
Canto muitas vezes as palavras de Maria: Deus olhou para mim e agora sou afortunada, porque tenho na minha vida a doçura do amor de Deus. Sou afortunada porque tenho a certeza da vida eterna; sou afortunada porque os meus pecados foram perdoados para sempre e estou livre de qualquer culpa.
Mas sinto-me também afortunada porque sei que o meu Deus não tem favoritos, Ele ama a todos os homens, e hoje Ele agendou encontrar-se contigo, não na forma de um anjo, mas na forma de palavras, de sentimento, do pensamento que está a formar-se dentro de ti agora mesmo.
Maria carregou no seu ventre o Filho de Deus. Carregou-o também no coração, tu e eu também podemos seguir este exemplo. Não temos um retrato que nos diga como ela era, mas há coisas que podemos ver pela Palavra de Deus. Maria tinha uns olhos lindos – conseguiu ver o propósito de Deus ao escolhê-la para ser o recipiente do Verbo feito carne. Maria tinha uns pés lindos – correu para Isabel para contar-lhe e cantar o que Deus tinha feito por ela. Maria tinha um coração bonito – ao mostrar a Deus a sua submissão e a sua humildade. Maria tinha mãos belas – “o menino crescia em sabedoria e estatura”, eram as suas mãos que o lavavam, alimentavam, acarinhavam e corrigiam. Maria reflectia a beleza de Deus na sua vida, pela forma como estava pronta às ordens e aos desígnios de Deus. Presto-lhe a minha homenagem porque foi uma mulher cheia de graça (foi Deus que disse!). Quem dera que Ele olhasse para mim e dissesse o mesmo!
Sarah Catarino
Líder Nacional do ministério Aglow International em Portugal
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