Mateus 20:17-28
Os pais sempre desejam o melhor para os filhos, mesmo que isso implique até algum sacrifício próprio, desde que contribua para o seu sucesso na vida. Alguns chegam mesmo a dizer: “eu não tive, mas ele (a) há-de ter”; eu não consegui, mas ele (a) há-de conseguir. Nesta ânsia por ambicionar que os filhos cheguem, se possível, mais longe do que eles, consciente ou inconscientemente estão a colocá-los sob a pressão de alcançarem alvos que eventualmente os conduzam a um nível de poder e prestígio. E até mesmo os cristãos não estão imunes ao desejo de alcançar o topo da escadaria que conduza a uma posição de grandeza.. Mas não se pense que ser grande, ser servido por “pessoas menores“, é uma característica das sociedades modernas, das organizações e instituições que nos nossos dias medem essa grandeza pelas realizações pessoais, pois já no tempo de Jesus havia quem ambicionasse a tal. Fique connosco para conhecer um caso típico.
Um pedido egoísta
Não era a primeira vez que alguém se aproximava de Jesus para lhe fazer um pedido. Várias foram as pessoas que se dirigiram a Ele com pedidos específicos, alguns dramáticos mesmo, como foi o caso de Jairo que se aproximou do Senhor rogando pela sua filha que estava gravemente doente. O pedido desta mãe, conhecida na Bíblia por ser a mulher de Zebedeu, que de acordo com alguns estudiosos da Bíblia, seria Salomé, irmã de Maria, mãe de Jesus (conferir Mateus 27:56; Marcos 15:48; João 19:25), era bem diferente, não representava uma necessidade, não tinha sequer um carácter de urgência. Tratava-se apenas e tão só de um favor, um género de “cunha”. Seria um pedido meramente da mãe ou de Tiago e João também? Como é que podemos saber? No versículo 22 Jesus responde directamente aos dois filhos desta mulher. Naturalmente Jesus conhecia os seus corações (confira Marcos 10:35-37)! Na realidade, o que estavam eles a querer dizer quando pediram para se assentarem “um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino? Posição, poder, fama, glória, honra, prestígio. Ser servido pelos outros. E connosco, será que é diferente de Tiago e João, filhos de Zebedeu? É possível que o grau de parentesco (partindo do princípio que seria tia de Jesus), motivou o seu pedido. O mais certo, de acordo com Russel Norman Champlin, no seu comentário sobre o Novo Testamento Interpretado, é que “os apóstolos esperavam que o reino seria inaugurado imediatamente, e estavam excitados em face da sua participação no mesmo”.
A Verdadeira Grandeza
Tiago e João haviam privado com Jesus por cerca de três anos. Previamente (vv.17-19), Jesus havia justamente confidenciado com eles acerca dos sofrimentos e da morte por eles que esta para vir. Ao contrário de obter simpatia e compreensão da sua parte face aos momentos difíceis que se avizinhavam, Jesus é confrontado com um pedido absurdo de posição, poder e glória que eles desejavam. Você pode imaginar como o Mestre se sentiu naquele momento? E o que pensará o Senhor de nós como discípulos seus quando demonstramos interesses egoístas?
Eles ainda não haviam aprendido os princípios que regem o reino de Deus, que a verdadeira grandeza é considerada através do serviço que prestamos aos outros. Foi o próprio mestre quem disse: “…aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo” (Mateus 20:26,27). Jesus censura-os pelo seu egoísmo, ensinando-os que se pretendem ser grandes no Reino têm que se dar a si mesmos sem reservas suprindo as necessidades dos outros. A verdadeira grandeza não se determina pela posição que se ocupa nem pela quantidade de pessoas que estão às nossas ordens. Ser grande é considerar quantas pessoas servimos, não quantos servos temos, quantos ajudamos e abençoamos. Precisamos de nos certificar se estamos a servir aos outros ou se, pelo contrário, estamos à procura de quem nos sirva. Procuremos ter o mesmo sentimento de Jesus. Ele foi grande porque serviu os outros (Mateus 20:28)
Uma concessão recusada
Apesar do seu pedido não ser o mais adequado, Jesus não ridicularizou os discípulos. Ele simplesmente recusou a sua pretensão, aproveitando o momento para esclarecer que a atribuição de privilégios é uma prerrogativa exclusiva do próprio Deus, não lhe competindo a Ele tal decisão (v.23). Por outro lado, este momento serviu também para ensiná-los sobre o que a verdadeira grandeza é. Fica claro ainda, que nem sempre recebemos o que pedimos porque não o fazemos como convém (v.22), o que confirma as palavras de Tiago: “pedis e não recebeis, porque pedis mal” (Tiago 4:2,3).
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