A mãe de Sansão - Quando um filho desilude

Juízes 13

Ao contrário do seu filho, personagem bíblico sobre quem se fizeram filmes e escreveram sermões, muito pouco se disse ou ensinou a respeito dela. A história desta mulher que está intrinsecamente ligada ao filho, é-nos dada a conhecer em associação ao seu marido e começa assim: “Havia um homem chamado Manoá, cuja mulher era estéril e não podia ter filhos”. Para além do seu handicap, também não nos é revelado o nome. No entanto, Deus honrou esta mulher dando-lhe um filho que prometia ser um grande líder. De facto, ele reunia todas as condições para ser um Juiz bem sucedido em Israel (Juízes 13). Acompanhe-nos nesta história singular.

 

Preparando a chegada do filho

A futura mãe de Sansão, como qualquer mulher que aspira à maternidade, tinha agora diante de si o desafio de se preparar para receber o filho que Deus lhe havia prometido. Tal como as consultas pré-natais hoje em dia providenciam orientação para as futuras mães e os seus bebés, a Bíblia também providencia ajuda no que respeita ao cuidado dos filhos, não somente na vertente dos cuidados primários de saúde física e alimentação como também espiritual. Havia certos cuidados especiais que esta mãe teria que ter em conta, tanto em relação a si própria como ao seu filho. Devia abster-se de bebidas alcoólicas ou comidas impróprias durante a gravidez (13:3). Disse mais o anjo: “terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha” (13:5). Este menino estava destinado, desde o ventre de sua mãe, a ser especial, um Nazireu. Significa que ele não deveria nunca cortar o cabelo, comer certas comidas ou beber qualquer vinho. Ele seria santo e um servo especial do Senhor. Aqui temos uma importante lição para nós hoje. Deus espera que sejamos santos (que significa separados) como Ele é santo, um requisito que deve ser extensivo a todos os membros de uma família que deseje agradar-Lhe.

 

Os privilégios de Sansão

Ter uma família já é por si só motivo de gratidão. Pertencer a uma família cujos pais são crentes devotos, preocupados em servir e agradar a Deus, será com certeza um privilégio que traz consigo também responsabilidades (13:8,12). Nasceu e cresceu debaixo da bênção de Deus (13:24), mais importante do que ter posição ou fama reconhecida mundialmente (Provérbios 10:22), não obstante ser um homem com um grande potencial. O seu nome, cujo significado era “notável e forte”, nem sempre esteve à altura das expectativas. De “quando em quando” o Espírito do Senhor vinha sobre ele e o conduzia (13:25), apesar disso falhou em ser controlado por Ele e caminhar dia-a-dia no poder desse mesmo espírito. Foi quando cessou esse controle que surgiu a “concupiscência da carne” (Gálatas 5:16). Sabemos ainda que era detentor de uma força notável (14:6), cuja fonte era o próprio Deus. A juntar a todas estas vantagens, Sansão havia sido escolhido por Deus para ser o “libertador de Israel das mãos dos Filisteus” (13:5). Segundo os historiadores, existem dois elementos que caminham lado a lado e que tornam uma pessoa grandiosa: “a sua real habilidade/capacidade e a realidade de o provar”. Ora Sansão representa tanto a capacidade como a oportunidade de se tornar grande em Israel, de ser admirado pelos Israelitas, mas a sua rebelião e o seu pecado roubaram-lhe a força e conduziram-no ao declínio. Teve, no entanto, uma segunda oportunidade, lembrando-nos que Deus é o Deus da segunda oportunidade. Ali na prisão ele clamou a Deus que o ouviu e o restaurou (I João 1:9; Salmo 32:1-5), pese embora fosse uma restauração parcial.

 

Algo para reflectir

Esta história mostra-nos que mesmo o nosso esforço dispendido na preparação dos filhos para a jornada da vida, pode ser de algum modo “frustrante”, pois em última análise reserva-se aos filhos o direito de escolherem o seu próprio caminho, às vezes um mau caminho. Sansão haveria de tornar-se um exemplo de desobediência, não obstante o empenho dos seus pais em criá-lo de acordo com a orientação que Deus havia dado a seu respeito. Deliberadamente fez escolhas erradas, ignorando os argumentos dos pais (14:3). Depois de fazermos tudo o que sabemos ser o correcto pelos nossos filhos e ainda assim “aparentemente não dar certo”, resta-nos levá-los à presença de Deus em oração, e não nos sentirmos culpados. Lembre-se, a “oração do justo pode muito em seus efeitos”.

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