Referência Bíblica: Mateus 15:21-28; Marcos 7:24-30
Nesta edição propomo-vos a história de uma mulher Siro-fenícia que travou um intenso e dramático diálogo com Jesus a propósito da sua filha gravemente doente. É notável a sua determinação em ver o seu pedido satisfeito quando tudo parecia contra ela.
Pano de Fundo
Jesus tinha deixado a Galileia com destino a Tiro, território gentílico, procurando aí uma casa onde pudesse estar a sós com os seus discípulos, provavelmente para se resguardar um pouco das ameaças dos judeus separatistas. A Sua intenção era passar despercebido (Marcos 7:24). Porém, tal não aconteceu. Uma mulher que se encontrava numa situação de grande angústia, sabendo da presença de Jesus ali foi ao Seu encontro rogando-lhe pela sua filha que vivia atormentada (Marcos 7:26). A Bíblia não nos diz se o problema da filha tinha implicações físicas ou emocionais, mas de uma coisa podemos estar certos, esta mulher vivia numa agonia constante por ela. Desesperadamente precisava de ajuda.
O seu lugar na Bíblia
É por intermédio de Mateus e Marcos que conhecemos esta história, desde logo para nos mostrar a persistência da fé, ilustrada na expressão “até que”, ensinada pelo profeta Isaías (Isaías 62:1-7). Em segundo lugar, antecipa a universalidade e os benefícios do ministério de Jesus, cuja porta se abrirá também aos gentios após a Sua morte e ressurreição conforme (Actos 10:34-48). Existe ainda uma terceira razão: demonstrar que a bondade e a graça do Senhor é sem limites.
Uma ousadia invulgar
O seu coração partido pela condição da sua filha levou-a a clamar insistentemente, ao ponto de os próprios discípulos de Jesus se sentirem perturbados, chegando mesmo a aconselhar Jesus a despedi-la. Ela, porém, como estava determinada a receber a ajuda que precisava não desistiu de
os seguir, evidenciando deste modo uma atitude que ilustra a verdadeira natureza da fé e da perseverança, aquela espécie de fé que não desanima nem se cansa.
Por outro lado, ela simboliza o tipo de pessoa corajosa que Deus tanto aprecia, capaz de derrubar barreiras/obstáculos através da fé. E, no seu caso, foram pelo menos derrubadas quatro, a saber: a raça, a religião, o racismo, a rejeição.
O diálogo com Jesus
A conversa começa com um pedido angustiante, rogando pela sua filha: ”Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim…”, ao qual Jesus parece ignorar, pois “não lhe respondeu”. Tal facto terá levado a mulher a interpretar a Sua atitude como uma recusa. Mesmo assim, ela não está disposta a perder a grande oportunidade de ver a sua filha liberta. A natureza deste aparente silêncio de Jesus e a oposição dos discípulos parece fazer crer que a sua fé estaria a ser testada. Seria capaz de enfrentar a prova?
Ela deve ter ouvido acerca de diversas curas que Jesus tinha efectuado (Marcos 7:2), nomeadamente como tinha aberto os olhos do cego, e nessa perspectiva não estava disposta a desistir facilmente. Ouvira certamente acerca do gadareno que também tinha sido liberto. O seu raciocínio então deve ter sido: “Se Ele pôde libertar aquele homem, certamente poderá libertar a minha filha”.
Ao dirigir-se a Ele como “Senhor, Filho de David”, ela tinha expectativas e era natural alimentar esperança de cura para a sua filha. Porém, o facto de não pertencer à “casa de Israel”, a quem Jesus tinha sido enviado primeiramente, excluindo-a automaticamente de qualquer benefício, não a inibiu de argumentar com o Mestre.
Ao tomar o lugar dos “cachorrinhos”, numa atitude de grande fé e humildade, ela implicitamente estava a admitir que mesmo simples migalhas do poder de Jesus seriam suficientes para curar a sua filha. Enquanto que os judeus rejeitavam a plenitude de Deus em Cristo Jesus, esta mulher sabia que mesmo as bênçãos residuais vindas da Sua parte não seriam de desperdiçar, pois uma migalha sempre é melhor do que nada.
O “não” de Jesus a princípio era apenas parte do processo de ampliar a sua fé, que Ele reconheceu e honrou através da expressão: “Ó mulher, grande é a tua fé”, uma fé que resistira a todos os obstáculos, aparentemente intransponíveis. O seu exemplo incentiva-nos a pôr em prática Mateus 7:7: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.”
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