Neste edição queremos partilhar convosco alguns aspectos interessantes observados na vida de um casal que encontramos no Velho Testamento, que a Bíblia começa por apresentar deste modo: “…e era a mulher de bom entendimento e formosa, porém o homem era duro e maligno nas obras…”. Esta história, à qual poderíamos chamar de “o contraste entre Abigail e Nabal”, mostra-nos como esta mulher honrou a Deus, salvou o seu marido e obteve a admiração do rei David.
Pano de fundo
Avizinhavam-se tempos difíceis para este casal, fruto de uma reacção intempestiva/irreflectida da parte de Nabal, um descendente de Calebe filho de Jefoné, um dos doze espias enviados a Canaã. Este homem possuía muitos bens (I Sam.25:2), mas também um mau carácter. Ele era grosseiro (v.3), insultando os homens de David, e aparentemente rude para com a esposa, enfim um homem difícil. David havia mandado uma saudação de cortesia (v.6), mas Nabal retribuiu de forma rude e insultuosa (v.10-13). Que contraste entre ele e o Rei Salomão, por exemplo, que mostrou notável cortesia para com a sua mãe (I Reis 2:19). Este é um traço de carácter que precisamos desenvolver nestes dias caracterizados pelo stress, em que tudo tem que ser feito de forma apressada. O lugar por excelência onde podemos praticar e desenvolver a cortesia, entre outras virtudes, entre irmãos e irmãs, pais e filhos será certamente o lar. Porque terá Abigail casado com um homem assim? Provavelmente, porque de acordo com os costumes orientais, ela não podia dizer não a um casamento “arranjado” pelos pais. A beleza de Abigail e a riqueza de Nabal constituíam os ingredientes que possibilitaram este enlace, que só não terminou mal porque Abigail era uma pacificadora (Mateus 5:9).
Para além da beleza
Ela possuía qualidades muito mais importantes do que a beleza, que a Bíblia faz questão de realçar. Diz o nosso texto que era “uma mulher de boa compreensão” (v.3). Ela tinha aprendido “a não se apoiar na sua própria entendimento, mas a confiar no Senhor e reconhecê-lo em todos os seus caminhos” (Provérbios 3:5,6). À luz do Salmo 111 e versículo 10, um bom entendimento é um dom de Deus concedido aquele que é obediente. Era também “uma mulher conciliadora”. Não obstante o seu marido ser indigno (v.25-28), ela pleiteou com David pela sua vida. Actuou como uma mediadora no conflito (v.17). Procurou chamá-lo à razão, lembrando-o: 1) que o Senhor o manteve afastado de fazer vingança por mão própria (v.26). No capítulo 24 ele poupa a vida de Saul, mas agora corre o risco de se esquecer desta atitude. 2) Ele está envolvido nas “guerras do Senhor” (v.28), não nas suas guerras pessoais, o que infelizmente acontece com alguns de nós. 3) A sua vida estava ligada com Deus que o protegeu de Saul (v.29). Em João 15 aprendemos que quem está unido a Cristo do mesmo modo que as varas estão ligadas à videira, partilham da Sua vida e florescem. 4) Deus está empenhado em manter a sua promessa de tornar David rei (v.30).
A resposta de David
Abigail com todo o tacto que usou para lidar com esta situação aplacando a sua ira e desejo de vingança, acabou por conquistar o coração do futuro rei. David, por sua vez, agradeceu a Deus por ter colocado Abigail no seu caminho (25:32,34). Ela foi o elemento que Deus usou para manter David afastado de pecar contra Ele. Algumas vezes Deus actua directamente, outras vezes usa alguém para nos manter afastados do pecado que tão de perto nos rodeia. Será bom parar para pensar e mostrar gratidão pelas vezes em que Deus, usando alguém, nos manteve longe de infringir as suas leis. Abençoou-a pelo modo prudente como o aconselhou (v.33). David acabaria por casar com Abigail, uma mulher que muito admirava e que foi guindada à realeza.
Aprendemos
Que todas as coisas cooperam para o bem dos filhos de Deus (Romanos 8:28). Que Deus cuida de nós, colocando pessoas no nosso caminho para nos ajudar em tempos de necessidade.
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