A igreja em Filipos foi fundada pelo incansável apóstolo S.Paulo, aquando da sua segunda viagem Missionária. Era uma igreja por quem ele nutria um carinho e um reconhecimento muito especiais e, como qualquer igreja, tinha virtudes e também dificuldades. Ao referir-se a estes queridos irmãos, Paulo lembra de forma muito particular a generosidade que sempre demonstraram para com ele e que tanto o comoveu. Aqui, porém, ele faz referência a duas mulheres que tinham alguma influência na igreja mas que não se entendiam muito bem.
Quem eram estas mulheres
A contribuição das mulheres na igreja desde os seus primórdios até aos dias de hoje tem sido importantíssima. A igreja em Filipos é exemplo do papel que algumas dessas mulheres desempenharam, nomeadamente Lídia, sobre quem já falamos numa destas edições, mulher piedosa e temente a Deus, que se dedicava a comercializar púrpura. Porém, havia outras mulheres notáveis nesta igreja, tais como Evódia e Síntique, cujos nomes significam “próspera jornada” e “agradável conhecimento” ou “boa sorte”, cuja vivência nesta altura nada condizia com os seus nomes. Paulo tinha-as em grande estima e consideração, referindo-se-lhes como duas notáveis cooperadoras que com ele trabalharam no evangelho. Só que nem tudo ia bem com elas, ao ponto de Paulo lá na prisão em Roma lhes dirigir uma palavra pessoal, em jeito de exortação: “Rogo a Evodia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor…” (Filipenses 4:2,3).
O motivo do seu apelo
Nada se sabe sobre estas mulheres e qual o motivo que as levou a desentenderem-se. O pedido que Paulo lhes faz, que “sintam o mesmo no Senhor”, deixa entender que elas não estavam unidas no mesmo propósito ali na igreja. Paulo apela à sua reconciliação como cristãs, ao facto de serem membros do mesmo corpo, ao espírito de serventia e humildade que caracterizou o seu ministério, reportando-se simultaneamente à atitude de Cristo que “sendo em forma de Deus se humilhou” para o bem dos outros (Filipenses 2:1-9). Apesar da autoridade que tinha para as repreender, preferiu usar de brandura e amor, como pai a filhos, procurando restaurá-las. Compreendendo a dificuldade que Evódia e Síntique teriam em chegar a um entendimento por si próprias, solicita a um terceiro elemento os seus bons ofícios (Cap. 4:3). Mas quem é este personagem? Ninguém sabe, concluindo-se apenas ser alguém que poderá ajudá-las a reconciliarem as suas diferenças. Ele tinha-as em tal estima e consideração que não queria vê-las desunidas. Paulo continua a elogiá-las lembrando que estas mulheres trabalharam com ele no evangelho e com outros colaboradores, reconhecendo tratar-se de duas pessoas que não somente conheciam o Senhor, mas serviam-n’O também. O apóstolo estava convicto de que não obstante os desentendimentos entre elas, permaneciam no corpo de Cristo e os seus nomes constavam no livro da vida (Cap. 4:3).
Conclusão
A unidade entre os cristãos é um elemento essencial, daí o apelo de Paulo a estas duas mulheres. Aqueles que trabalham na causa do evangelho precisam de viver em unanimidade no Senhor. É terrível quando as pessoas não se entendem. Esta carta de Paulo aos crentes em Filipos, coloca a ênfase sobre a necessidade de “unidade no Espírito”, “viver conforme o evangelho” (cap. 1:27), ter “o mesmo sentimento em Cristo” (cap. 2:2), entre outros. Mais abaixo neste capítulo 2 menciona o exemplo de Timóteo e Epafrodito, dois cristãos incapazes de prejudicar a igreja.
Para reflectir
Paulo solicita a ajuda a alguém que chama de “meu verdadeiro companheiro” (v.3). Parece tratar-se de uma pessoa altamente estimada, influente e que trabalha em cooperação com outros, a quem estas mulheres ouviriam por certo. Na verdade Paulo sente que esta pessoa é capaz de cuidar e ajudar outros, reconhecendo nela o dom de trazer reconciliação, paz e ânimo à igreja. A congregação que frequenta tem necessidade de uma pessoa assim? É capaz de reconhecer alguém com estas características e louvar a Deus por ela? E se Deus a chamar para ajudar outros em conflito?
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