Texto: João 12:1-9
Betânia era nesta altura o foco das atenções. Jesus estava de passagem pela localidade, a caminho de Jerusalém para a festa da Páscoa. Em Betânia, o Mestre tinha alguns amigos, entre os quais estavam Marta, Maria e Lázaro, três irmãos que proporcionaram uma festa a Jesus. Enquanto estavam à mesa, a certa altura, Maria partiu deliberadamente um vaso que continha unguento de nardo puro de preço elevado, que derramou sobre Jesus. Instantes depois toda a casa se encheu do cheiro desse perfume. Com este gesto simples, que não agradou a todos os presentes, esta mulher expressou o seu amor e gratidão ao Senhor.
A Natureza do seu acto
O gesto de Maria suscitou comentários, uns de aprovação, outros criticando-o por considerarem-no algo exagerado, extravagante mesmo. A palavra extravagante pode ser definida como “despendendo demasiado”, “indo para além daquilo que se pode considerar razoável”. De facto, parece que o acto de ungir a cabeça era uma forma de homenagem a certas pessoas importantes, prática habitual por terras do oriente. O valor do perfume, proveniente de uma planta que se encontra nas Montanhas dos Himalaias, calculado em 300 denários, o equivalente ao salário que um trabalhador auferia durante um ano (na moeda actual aproximadamente 5000 euros!), parecia exagerado. O facto de o próprio recipiente ter de ser quebrado para libertar o seu conteúdo, também parecia despropositado. Por outro lado, ungir os pés, para além da cabeça, excedia as regras de bom acolhimento que a etiqueta exigia. Ao enxugar os pés com os seus cabelos, ela estava também a incorrer num procedimento considerado impróprio para uma mulher judia fazer publicamente. Certamente que Maria não pretendeu exibir-se, chamando sobre si as atenções. Nesta altura, ela talvez tivesse a percepção do momento difícil que esperava Jesus, sendo esta uma forma de O homenagear em vésperas da sua morte. É verdade que há verdadeiros exageros que se cometem hoje em dia, mas nenhuma dádiva, expressão de amor, ou forma de adoração oferecida a Jesus jamais poderá ser considerada excessiva, extravagante. Ele é digno, merecedor do melhor que possamos oferecer-Lhe, porque tudo o que temos e somos provém d’Ele.
Aos pés de Jesus
Maria aparece como figura central em três ocasiões, como nos relatam os Evangelhos. Sempre que isso acontece, encontramo-la a fazer a mesma coisa, ou seja: “aos pés de Jesus”. A primeira vez, vemo-la como uma aluna, alguém que se dispõe a aprender (Lucas 10:39); mais tarde, como enlutada, quando o seu irmão Lázaro morre, suplicando a Jesus por ele (João 11:32); Agora está de novo aos seus pés, saboreando cada palavra dos ensinos de Jesus, numa atitude de louvor e adoração (v.3). Vemos que há aqui uma progressão na sua aproximação a Jesus, que culmina num reconhecimento daquilo que Jesus representa para ela e para a sua família.
Maria tinha inúmeros motivos de gratidão para expressar na presença de Jesus. E nós, já descobrimos os nossos próprios motivos? É fácil esquecermo-nos daquilo que o Senhor representa para nós, permanecendo na vida cristã como espectadores numa atitude passiva e não como adoradores. Ela tomou a iniciativa de honrar o Senhor Jesus. A nossa adoração para Ele não só honra ao Senhor como demonstra o nosso reconhecimento, à medida que caminhamos e experimentamos em cada dia mais do Seu amor, poder, bondade, capacidade e oportunidade de O servir em sacrifício vivo, santo e agradável.
Conclusão
Vários aspectos deste acto de Maria merecem a nossa reflexão. Desde logo a sua atitude de adoradora, que deve ser também a nossa, merece atenção. Depois, o amor pelo Senhor precisa de ser expresso não somente por palavras mas por acções (I João3:18). Por outro lado, aprendemos também que, se alguém pensa consagrar-se plenamente ao Senhor, deve esperar algum tipo de crítica, do género: “Para quê tanto desperdício?” (Marcos 14:4). O sacrifício de Maria foi a expressão última do seu amor e adoração a Jesus. Maria deu tudo o que tinha ao Senhor, recebendo d’Ele aprovação pela oferta, pois disse: “Ela fez o que pôde” (Marcos 14:8). Finalmente, ela viu naquela ocasião uma oportunidade de reconhecimento por aquilo que Jesus tinha feito por ela e pelo seu irmão Lázaro. Dificilmente teria outra oportunidade, não quis perdê-la (Gálatas 6:10). Há coisas que se fazem agora ou nunca. Fica uma pergunta: o que precisamos nós fazer, neste momento, como reconhecimento pelo nosso amor por Ele?
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