Relembrar a Mulher de Ló

Lucas 17:22-37; Génesis19:15-26

 

Estamos de volta às páginas do Velho Testamento, agora para reflectir um pouco sobre alguém que apenas se conhece por “mulher de Ló”, figura que povoa o nosso imaginário cristão como alguém que pela sua desobediência foi transformada numa estátua de sal. Embora o seu nome seja desconhecido em toda a Bíblia, segundo os judeus antigos ela chamar-se-ia Ildeth (Edite). Não sendo um dos personagens bíblicos mais estudados, deve, contudo, ser alvo de reflexão, até porque Jesus faz menção dela num dos evangelhos, chamando a nossa atenção para o facto de que devemos lembrá-la (Lucas 17:32). O que teria Jesus em mente com esta ordem?

 

Pano de fundo

Sodoma e outras cidades adjacentes eram consideradas perversas aos olhos de Deus, de tal modo que decidiu destruí-las (Génesis 19). Os homens que nelas habitavam entregavam-se à luxúria e à violência. A Bíblia descreve-os como “…maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o Senhor” (Génesis 13:13). Entre os seus habitantes estava Ló e a sua família, que se haviam mudado para Sodoma após uma disputa havida entre os seus pastores e os de Abraão, seu tio (Génesis 13:8-13). Apesar de pertencer a Deus, pois lemos que ele era o “justo Ló” (II Pedro 2:7), aos poucos foi entrando em declínio. O seu coração estava de facto naquela cidade. Apesar de sentenciada à destruição, Deus desejava proteger Ló e a sua família. Nesse sentido enviou dois anjos que o avisaram para que abandonasse imediatamente a cidade sem olhar para trás, sob pena de serem consumidos (Génesis 19:17). Um plano simples e fácil de entender. Porém, na hora de saída, a mulher de Ló não resistiu a olhar tornando-se numa estátua de sal. De facto ela saiu da cidade, mas Sodoma continuava no seu coração. Esteve muito perto de se salvar, contudo perdeu-se.

 

Porque foi destruída Sodoma

Pela simples razão de que Ele é santo e justo, não tolerando o pecado, “que ao culpado não tem por inocente” (Êxodo 34:7). O pecado daquela gente era grande diante de Deus. Por outro lado, sabemos que Deus tudo fará para preservar aquele que é fiel: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Romanos 8:31). Como foi misericordioso com Ló e a sua família, assim será connosco hoje.

 

Lições que podemos aprender

1. As consequências serão inevitáveis e severas se menosprezarmos os mandamentos de Deus. Alguns de nós estão convencidos de que podem infringir os Seus mandamentos sem serem penalizados. Não podem.

2. Deus, na sua infinita graça, providencia um escape. Tudo o que esta mulher precisava de fazer era seguir à risca o plano que Deus estabelecera para preservar a sua vida. Através de Jesus Cristo Deus tem providenciado escape para nós, mas “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação”? (Hebreus 2:3).

3. Não seremos salvos pelo facto de pertencermos a uma família onde haja um homem ou uma mulher considerados justos aos olhos de Deus. Deus não tem netos, somente filhos.

4. A melhor protecção sobre as nossas vidas é conseguida através de contínua obediência, dia a dia. Todos os mandamentos do Senhor são importantes. A obediência parcial é inútil (Mateus 28:18-20). Ela fez uma parte daquilo que Deus tinha ordenado.

5. Que é necessário possuir fé e coragem para deixar para trás o mundo e os seus prazeres pecaminosos (Hebreus 11:24-26).

 

Uma última palavra

Ao contrário do que aconteceu em outras histórias que aqui trouxemos, esta teve um final infeliz. Fica, porém, o lembrete sobre a vida de alguém que teve uma oportunidade soberana para salvar a sua vida e não a soube aproveitar. Não sabemos o que motivou o seu olhar para trás, mas sabemos porque o fez. Ela amou mais as coisas deste mundo do que a Deus. A vida desta mulher permanece como um testemunho da absoluta necessidade de cumprir a Sua vontade. O erro que a mulher de Ló cometeu serve de aviso para nós: “Agora estas coisas são para nosso exemplo, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram” (I Coríntios 10:6).

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