A Mulher - Junto ao Poço

João 4:1-30

Esta é uma daquelas histórias da Bíblia que se constrói em torno de um encontro singular, entre um judeu e uma samaritana, que um dia se encontram junto a um poço onde esta mulher certamente tinha por hábito ir buscar água. O que aqui se passou não somente mudou o curso da sua vida, como teve um profundo impacto na vida e no ministério dos discípulos de Jesus. Curiosamente é a mais longa conversa privada que Jesus tem com alguém no Novo Testamento. Fique connosco para saber as incidências desta história.

Um encontro com propósito

Jesus estava de viagem da Judeia para a Galileia. Havia duas alternativas para este percurso: evitar Samaria (um território que ficava ensanduichado entre a Judeia a sul e Galileia a norte) como o faziam muitos israelitas quando viajavam entre estas duas cidades, ainda que o percurso fosse mais longo e cansativo para quem viajava a pé, ou passar por ela. O Mestre deliberadamente optou por entrar em Samaria (João 4:5), não por uma mera economia de tempo ou gestão de esforço, mas para que ficasse claro que a Palavra que se fez carne é a salvação de Deus para todo o que crê e não somente para os descendentes de Abraão ou uma nação em particular (João 1:1-18). A história que João nos conta ilustra esta verdade de uma forma magnífica, constituindo por outro lado uma preciosa lição para a igreja sobre como lidar e alcançar com êxito pessoas e grupos que vivem à margem do evangelho. Uma vez mais Jesus quebrou algumas barreiras, a saber: racial, moral, do sexo, o que causou alguma controvérsia e amargo de boca para alguns religiosos do seu tempo.

Aprender com o Mestre

Jesus reunia em si mesmo os atributos que caracterizam tanto o evangelista de massas,  quanto o evangelista pessoal. Os métodos por Ele usados podem ser considerados convencionais, mas de uma tremenda eficácia. Quando aplicados com graça, sabedoria e no poder de Deus, podem muito em seus efeitos, mesmo enfrentando acentuada ignorância ou deformação de carácter. Nenhuma circunstância, lugar ou mesmo indivíduo pode ser demasiado hostil e impeditivo da manifestação da graça e do amor de Deus. Jesus começa o seu diálogo com a mulher usando de tacto e cortesia, pedindo água (v.7-9), o que suscita nela uma natural reacção, à qual Jesus responde de forma paciente e simpática. Abertas as linhas de comunicação passa imediatamente do natural para o espiritual. Depois procura captar a sua curiosidade falando-lhe do “dom de Deus” (v.10), o próprio Jesus que estava ali na sua presença (João 3:16). De seguida, apela à sua consciência para trazer convicção, lembrando-a do seu pecado, expondo as suas reais necessidades (v.16). Antes de conhecer o Salvador, ela precisava de reconhecer o seu pecado. A fé que salva é posterior ao arrependimento.

O Despertar de um adorador

Por esta altura, a samaritana estava consciente de que se encontrava na presença de um profeta, alguém que estava em contacto com Deus, que poderia ajudá-la e guiá-la até Ele, daí querer saber onde deveria adorar. Jesus ensina à mulher o verdadeiro significado da adoração, mostrando que o lugar não é o mais importante, nem o processo, mas o espírito que move o adorador. Ele usou uma expressão que define claramente uma alteração na forma de adorar, quando diz: “a hora vem”, querendo com isto significar que a adoração a Deus iria sofrer uma mudança radical. O templo ou qualquer outro lugar específico, não mais seria o lugar exclusivo para adoração. Os verdadeiros adoradores, os que adoram em “espírito e em verdade”, poderiam agora fazê-lo numa base diária e em qualquer lugar.

Tempo de Agir

Ninguém está apto para servir a Deus convenientemente até que perceba o antes e o depois da salvação. Verdadeiramente ela era uma mulher convicta, com um coração disposto para Deus e uma vontade enorme de testificar aos outros acerca de Cristo (v.29). Agora ela sabia que o seu testemunho podia ajudar a muitos (v.30), mas primeiro era necessário que O conhecessem pessoalmente, pois somente a partir daí poderiam dizer: “Já não é pela tua palavra que nós cremos…” (v.42).

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